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6. Café foi o grande responsável pelo crescimento de São Paulo

Por estar situada entre a região produtora e o Porto de Santos, a cidade assumiu uma posição privilegiada

Por Roberto Pompeu de Toledo 22 out 2010, 21h48 | Atualizado em 14 Maio 2024, 09h07
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Não fosse um tal frutinho redondo, do tamanho de uma bola de gude, verde de início, vermelho depois e negro quando maduro, e São Paulo… seria o quê, São Paulo? Difícil imaginar. Certo é que lhe caberia uma trajetória totalmente diversa da que veio a trilhar. Pela tendência prevalecente até que o frutinho referido mostrasse toda a sua força, São Paulo continuaria na rabeira entre as capitais brasileiras, em população, poder econômico e influência. O frutinho, claro, é o café. Mais do que qualquer pessoa ou coisa, o café foi o grande responsável pela virada que transformou São Paulo na mais populosa, na economicamente mais poderosa e na mais influente cidade brasileira.

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A capitania de São Paulo foi, na era colonial, a prima pobre entre as capitanias brasileiras. A riqueza esteve no Nordeste produtor de açúcar ou nas Minas Gerais geradoras do ouro. Houve até um período, entre 1748 e 1765, em que a capitania foi extinta e seu território incorporado à do Rio de Janeiro. À cidade de São Paulo sobrava a irrelevância de uma cidadezinha de segunda ordem, no complexo das possessões portuguesas neste lado do mundo. Para o poeta Álvares de Azevedo, que estudou na Academia de Direito do Largo de São Francisco em meados do século XIX, São Paulo significava “tédio e aborrecimento”.

Em 1872, por ocasião do primeiro censo de alcance nacional, foi atribuída a São Paulo uma população de 31 385 habitantes. Era menor que a de Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belém, Niterói, Porto Alegre, Fortaleza e Cuiabá e igual à de São Luís. Mas algo já se movia, nessa época, e iria levar a um crescimento galopante, nas próximas décadas. E o que se movia era a marcha do café, vindo em socorro da desamparada cidadezinha. A planta entrou no Brasil pelo Norte, pulando da Guiana Francesa para o Pará, fez escala no Nordeste e foi vingar mesmo no Rio de Janeiro. Desceu pelo Vale do Paraíba e ganhou velocidade de cruzeiro quando dobrou para oeste e foi estabelecer-se nas vastas e férteis extensões da região de Campinas.

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O café era agora o “ouro negro”, a maior riqueza brasileira. A província de São Paulo assumia uma posição de liderança entre as províncias brasileiras. E a cidade de São Paulo, situada a meio caminho entre a região produtora e o Porto de Santos, de onde se davam as exportações, via-se na posição ideal para assumir a condição de centro privilegiado dos novos ventos de prosperidade. O crescimento foi vertiginoso. O censo de 1890 atribuiu a São Paulo uma população de 65 000 pessoas. Dez anos depois, esse número já tinha mais que triplicado, alcançando 240 000. São Paulo galgava assim, na virada para o século XX, o posto de segunda mais populosa cidade brasileira. Em 1920, a população era de 580 000 habitantes, e em 1940, de 1,3 milhão. A modesta povoação do alto da serra, onde dormira um sono de três séculos, transubstanciara-se em “metrópole do café”.

A prosperidade provocou um surto de embelezamento da cidade. Onde era mato e sujeira, como no Vale do Anhangabaú, fez-se um parque. O Parque Dom Pedro cumpriu o mesmo papel, para os lados do Tamanduateí. Já de pelo menos meio século para cá São Paulo não é mais a metrópole do café. É a metrópole de muitas coisas, não de um item só. Mas um dos recantos do centro velho continua a se chamar Largo do Café. O nome de “largo” é uma generosidade. Ele é estreito, como todas as vias do centro histórico, e hoje em dia se caracteriza por bares que avançam suas mesas porta afora e se enchem de fregueses naquela hora que, mesmo para os que se sentem infelizes, se convencionou chamar de ‘happy hour’. O Largo do Café fica colado à Praça da Sé, mais colado ainda ao Pátio do Colégio e junto à bolsa de valores. É uma lembrança de que o café merece ser homenageado tanto quanto o lugar de origem da cidade e a praça que sedia sua catedral e seu marco zero. É também um sinal de que está na origem dos valores ($$$) representados na bolsa.

 

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