USP: vídeos mostram “corredor polonês” em ação da PM na Reitoria
Entidades da universidade publicaram notas de repúdio e acusaram a Polícia Militar de uso arbitrário da força durante a operação deste domingo (10)
A Polícia Militar realizou, na madrugada deste domingo (10), a retirada de estudantes que ocupavam o saguão da Reitoria da USP, na Cidade Universitária, com cenas de truculência.
Vídeos mostram agressões com cassetetes em uma espécie de “corredor polonês” formado na entrada do prédio. A ocupação do edifício ocorreu em meio à greve estudantil, iniciada em 14 de abril. Entre as reivindicações dos alunos estão a melhoria nas condições dos bandejões, o aumento dos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) e a retomada do diálogo com a reitoria.
Sem acordo, o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado decretou encerradas as negociações sobre a greve na segunda-feira (4). A reitoria propôs reajuste dos auxílios do Papfe com base no IPC-Fipe, elevando o benefício de R$ 885 para R$ 912 mensais. Os estudantes, porém, pedem que o valor seja equivalente ao salário mínimo paulista, de R$ 1804.
Truculência
Em nota oficial, o DCE Livre da USP, o Diretório Central dos Estudantes, afirmou que dezenas de estudantes ficaram feridos pelo uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A entidade também relatou que um aluno teve o dedo quebrado e compartilhou fotos de estudantes com ferimentos no rosto.
As informações contrastam com o comunicado divulgado pela Polícia Militar, que afirma que a operação “foi concluída sem registro de feridos”. Segundo a nota, quatro estudantes foram conduzidos ao 7º Distrito Policial, onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites.
Segundo o governo estadual, cerca de 150 estudantes estavam no prédio. “Uma vistoria no espaço constatou danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada”, diz a nota da PM.
Diretorias e departamentos de diferentes faculdades publicaram notas de repúdio à operação. “A PM sequer agiu em comprimento de uma decisão judicial, promovendo, de forma arbitrária, portanto, o uso da força sem quaisquer parâmetros judicialmente pré-fixados e, assim, provocando lesões e até pondo em risco a vida dos(as) estudantes”, publicou o Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito.
A USP publicou uma nota oficial sobre a operação neste domingo (10). Segundo a universidade, não houve comunicação prévia à reitoria sobre a desocupação.
O texto ainda diz que as negociações com os estudantes chegaram a um impasse diante “do atendimento de diversos itens da pauta por parte da Reitoria”, “da constituição de sete grupos de trabalho para estudo de viabilidade de outros pontos da pauta”, “da insistência em reivindicações que não podem ser atendidas” e “de itens de pauta fora do âmbito de atuação da Universidade e a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica”.
Leia a nota completa da Polícia Militar
A Polícia Militar realizou, neste domingo (10), a desocupação do saguão da Reitoria da USP, ocupado por aproximadamente 150 pessoas desde a última quinta-feira (7). Cerca de 50 policiais participaram da ação, que foi concluída sem registro de feridos. Toda a ação foi registrada pelas câmeras operacionais portáteis dos policiais, e as imagens serão anexadas aos autos da ocorrência.
Após a desocupação, uma vistoria no espaço constatou os danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada.
No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes. Quatro pessoas foram conduzidas ao 7º Distrito Policial, onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas.
A Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas. O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público.





