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Suspensão do rodízio de carros é péssima ideia

No mês de julho, prefeitura decidiu liberar a circulação de 500 000 carros por dia e provocou engarrafamento histórico

Por Maria Paola de Salvo 18 set 2009, 20h33 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h24

A prefeitura resolveu dar férias ao rodízio municipal de veículos nas duas primeiras semanas de julho, liberando o acesso de 500 000 carros por dia ao centro expandido, onde vigora a proibição nos horários de pico. Péssima idéia. O que poderia significar uma boa notícia para os paulistanos, obrigados a deixar seu carro na garagem uma vez por semana no início da manhã e no fim da tarde, transformou-se num martírio. Na última segunda-feira (2), primeiro dia sem a restrição, a cidade enfrentou 140 quilômetros de vias congestionadas às 19 horas. Um aumento de 69% em relação à média de 83 quilômetros registrada nas segundas-feiras de julho do ano passado. Na terça, os engarrafamentos também não deram trégua. O dia começou com o dobro dos índices de lentidão para o período da manhã e terminou com 156 quilômetros. Mas o estrago maior veio na quarta-feira à tarde, quando São Paulo viveu o pior congestionamento do ano: 188 quilômetros. Mesmo diante do caos, o presidente da CET, Roberto Scaringella, continua firme na decisão de estender a medida até o próximo dia 13. “Os resultados estão dentro da nossa expectativa”, diz ele. Planeta Terra chamando…

A infeliz proposta de acabar com a restrição surgiu durante reunião, em maio, entre o presidente da CET e o prefeito Gilberto Kassab. “Sugeri a experiência e o prefeito aprovou”, afirma Scaringella. “O objetivo é testar se podemos liberar a cidade do rodízio nas férias do meio do ano, mas só teremos uma avaliação depois do dia 13.” Quando foi implantado, em 1997, o rodízio municipal tirou 20% dos carros das ruas nos horários de pico. Impopular de início, a medida mostrou-se um alívio para os congestionamentos. Dez anos depois, o efeito foi praticamente anulado pelos 500 novos veículos que chegam às ruas todos os dias. Ou seja, para resgatar os benefícios de dez anos atrás, o rodízio teria de ser ampliado. “Essa suspensão vai contra a tendência mundial de restringir a circulação de veículos”, diz o engenheiro Jaime Waisman, doutor em trânsito e transporte pela USP. “São Paulo não pode ficar sem rodízio em hipótese alguma.”

Metrópoles como Bogotá e Cidade do México seguem orientação contrária à defendida pela dupla Scaringella-Kassab. Ampliaram o número de placas restritas de duas para quatro por dia. “Lá, 40% dos carros não circulam diariamente”, explica o engenheiro de transportes Elmir Germani, que presta consultoria a Bogotá na área de trânsito. Trata-se de uma medida polêmica e corajosa que, certamente, não está nos planos da prefeitura.

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