Avatar do usuário logado
Usuário

Alex Klein assume o comando da Orquestra Sinfônica Municipal

Oboísta foi indicado pelos próprios instrumentistas, que em junho pediram a cabeça do então mandachuva, Rodrigo de Carvalho

Por Daniel Salles 15 out 2010, 23h08 | Atualizado em 5 dez 2016, 18h32
Orquestra Sinfônica Municipal - Alex Klein e Georg Solti - 2187
Orquestra Sinfônica Municipal - Alex Klein e Georg Solti - 2187 (Divulgação/)
Continua após publicidade

No começo de 2004, após deixar o posto de principal oboísta da Sinfônica de Chicago por problemas de saúde, o gaúcho Alex Klein subiu ao palco do Teatro Municipal de São Paulo. Não carregava seu instrumento, ao qual dedicou a maior parte da vida, mas uma batuta. Estava desolado e otimista. Desolado porque chegara ao fim sua trajetória como músico — só comparável no Brasil à do pianista Nelson Freire e à do violoncelista Antonio Meneses — por causa de um distúrbio neurológico raro, a distonia focal, que causa descontrole muscular e dor em partes do corpo. E otimista porque aquele era um de seus primeiros passos como regente: estaria à frente da Sinfônica Municipal por alguns dias. Na semana passada, ele voltou a comandar a orquestra. Mas agora na função de maestro titular e diretor artístico do teatro — seu contrato vai até o fim de 2013. 

O nome de Klein constava de uma lista apresentada à prefeitura pelos próprios instrumentistas, que em junho pediram a cabeça do então mandachuva, Rodrigo de Carvalho, alegando “limitada competência artística”. Uma das primeiras medidas do novo chefe foi ouvir as reclamações dos músicos. “Se eu for visto como tirano, o resultado no palco será ruim”, afirma ele, que conduzirá apenas três concertos neste ano — o primeiro estava previsto para a última sexta (15), na Galeria Olido.

“Klein foi o melhor oboísta que o Brasil já teve, o que é suficiente para conquistar o respeito dos músicos”, opina Sérgio Martins, crítico musical da revista VEJA. Como acontece com a maioria dos virtuoses, sua carreira começou cedo. Aos 9 anos, quando ainda tocava flauta doce, transcreveu de ouvido a ‘Sinfonia Nº 40’, de Mozart. “Adorava essa composição e queria ter a partitura”, justifica. Durante os quase dez anos em que trabalhou na Sinfônica de Chicago, a orquestra faturou cinco prêmios Grammy — um deles com Klein como solista. O oboé não foi totalmente abandonado e costuma ser soprado duas vezes por mês, em concertos. “Se estudo antes das apresentações, minhas mãos doem e não consigo tocar”, explica.

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês