Operação da Polícia mira rede de roubo e derretimento de ouro em SP
Segunda fase da ação do Deic cumpre mandados na capital e em Guarulhos para desmantelar esquema que vai do assalto nas ruas à lavagem de dinheiro
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (24) a segunda fase da Operação Ouro Reverso, que mira um esquema criminoso completo de recepção e reciclagem de joias roubadas na Grande São Paulo.
A ação mobiliza 60 policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), 21 auditores da Receita Estadual e avaliadores da Caixa Econômica Federal no cumprimento de quatro mandados de prisão e 28 de busca e apreensão na capital paulista e em Guarulhos.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 34,6 milhões em 13 contas bancárias ligadas aos investigados, além do sequestro de sete veículos e um imóvel.
Coordenada pela 3ª Delegacia de Fraudes Financeiras e Econômicas (DIG/Deic), a investigação mapeou a engrenagem que transforma correntes e alianças tomadas em assaltos de rua em ouro “limpo” reinserido no mercado formal.
O centro das atenções é uma região do Centro paulistano batizada pelos investigadores de “círculo de fogo”, onde funcionavam empresas encarregadas de comprar as peças roubadas e derretê-las imediatamente para apagar vestígios.
A estrutura foi dividida pela polícia em três frentes:
Executores: Responsáveis diretos pelos assaltos e furtos nas ruas, atuando sob coordenação de intermediários.
Processadores: Receptadores e lojistas que recebiam o material, faziam o derretimento do metal e remanufaturavam as peças.
Financiadores: Operadores que lavavam os recursos por meio de empresas de fachada e depósitos fracionados para reintroduzir o dinheiro no sistema financeiro.
A investida atual é um desdobramento direto da primeira fase, realizada em maio de 2025, quando R$ 2,7 milhões em ouro e joias foram recuperados e três CNPJs de estabelecimentos clandestinos acabaram cassados.
A partir da prisão de Rony Gonçalves, apontado como principal negociador do grupo liderado por Suedna Barbosa Carneiro, a “Mainha do Ouro”, a polícia conseguiu mapear a rede financeira e os comércios que sustentavam o ciclo criminoso.







