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Criadora de ONG, corretora castrou cerca de 17 000 cães e gatos

Ana Trancredi fundou a Vira-Lata É Dez, entidade que tem 1 000 pets sob seus cuidados

Por Mariana Zylberkan 6 ago 2016, 00h00 | Atualizado em 12 nov 2018, 18h09
ONG Vira Lata é dez - Ana Tancredi
Ana Tancredi, da ONG Vira Lata É Dez (Leo Martins/Veja SP)
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O amor pelos animais influenciou boa parte da vida da paulistana Ana Tancredi, de 51 anos. Em nome dos bichos, ela tornou-se vegetariana e travou embates com o pai, fã de pesca e de caça a aves. Além disso, escolheu a carreira de corretora de imóveis, mesmo formada em biologia, por causa da flexibilidade de tempo para cuidar de cães e gatos em necessidade. A militância em prol da causa começou quando ela ainda era adolescente.

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Há treze anos, fundou a ONG Vira-Lata É Dez, uma das principais da capital, criada com a ajuda da sobrinha, a veterinária Cintia Tonelli, 52. “Eu queria levar para casa todo animal abandonado que via pela rua”, lembra Ana, que é presidente da entidade. Chegou a acumular cinquenta pets no sítio da mãe, em Cotia. “Virou um problema e, por isso, decidi criar a organização.”

Um dos casos mais marcantes nessa trajetória deu-se em 2005. Na época, a corretora resgatou a mascote Ana Júlia, em Vargem Grande, na região metropolitana. Soube que a cadela estava largada em um lixão. Quando chegou lá, quase não conseguiu encontrá-la, pois a vira-lata se misturava à sujeira. Elas viveram juntas durante duas décadas. Em outra situação, Pipoca foi salvo de dentro de um bueiro. Tetraplégico, ainda não foi adotado.

Depois de se arriscar a invadir canis clandestinos e propriedades particulares devido a denúncias de maus-tratos, a protetora achou que seus esforços teriam mais efeito se focasse o controle da população. Atualmente, dedica-se a promover mutirões de castração em áreas carentes. “Pelo descontrole da reprodução, resgatar e não castrar é como enxugar gelo”, explica. Por causa da crise econômica, nos últimos tempos a ONG enfrenta a queda nas doações, a única fonte de renda da instituição — para piorar, acumula uma dívida de 160 000 reais.

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Ração, a manutenção dos canis e o salário de dezessete funcionários consomem, em média, 95 000 reais por mês. Seis voluntários ajudam nas tarefas. Há uma sede, em Cotia, e cinco abrigos espalhados pelo interior. Hoje, cerca de 1 000 pets estão sob os cuidados da Vira-Lata É Dez. Parte deles fica disponível para adoção diariamente na loja da Cobasi na Vila Leopoldina. Apesar das dificuldades, Ana não desiste. “Os animais são seres vivos e merecem os mesmos cuidados que os humanos.”

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