Avatar do usuário logado
Usuário

MP recebe denúncia contra o fim do muro da raia da USP

Obra foi apresentada sem nenhum estudo de impacto ambiental e barulho e fuligem dos carros podem inviabilizar a prática de remo no local

Por Sérgio Luz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 Maio 2017, 16h49 | Atualizado em 15 Maio 2017, 17h37
Raia olímpica da USP
Raia olímpica da USP (Divulgação/Veja SP)
Continua após publicidade
MP recebe denúncia contra o fim do muro da raia da USP Priorizar nos meus resultados Google

Na manhã desta segunda, 15, o remador Michel Neumark, em nome da comunidade de praticantes do esporte que utilizam a Raia Olímpica da USP, protocolou no Ministério Público do Estado de São Paulo uma denúncia contra o projeto de derrubada do muro que separa o local das pistas da Marginal Pinheiros. A ideia da universidade, que conta com o apoio da prefeitura na empreitada, é substituir o muro por um gradil eletrofundido, aumentando a visibilidade do local para quem está trafegando pela via expressa. Segundo a denúncia encaminhada ao MP, a obra foi concebida sem nenhum estudo de impacto de ambiental e, se for levada adiante sem algumas modificações importantes, coloca em risco o delicado ecosistema da Raia e pode prejudicar a saúde dos frequentadores do espaço. “O muro protege o local contra o barulho e a fuligem dos veículos”, afirma Neumark.  “Achamos ótimo tornar o lugar mais conhecido pelos paulistanos, mas, do jeito que está, o projeto é um desastre e inviabiliza a prática de esportes por lá. A alternativa é colocar vidros ou acrílico no lugar do muro”, completa ele.

rowe2
A Raia Olímpica: águas limpas protegidas da Marginal Pinheiros (Redação/Veja SP)

Procurada por VEJA SÃO PAULO, a assessoria de João Doria disse que não poderia comentar pontos específicos do projeto e enviou para a redação da revista a seguinte nota: “A prefeitura apoia a integração urbanística entre a USP e a cidade. Solicitamos que as questões relativas a detalhes do projeto sejam encaminhadas à universidade, responsável por sua elaboração e execução”. A reitoria da USP, por sua vez, negou-se a comentar as críticas. Segundo apurou a reportagem de VEJA SÃO PAULO, não foi realizado mesmo nenhum estudo de impacto ambiental da derrubada do muro. Os clubes e responsáveis diretos pelo local também não tiveram a oportunidade de opinar sobre o projeto. “O negócio foi simplesmente comunicado a nós pela USP, sem qualquer margem de discussão”, afirmou a VEJA SÃO PAULO uma das pessoas que acompanharam de perto a movimentação em torno do projeto. A expectativa da USP e da prefeitura é que as obras comecem nesta semana e estejam prontas até agosto. As mudanças incluem ainda alterações no paisagismo do espaço, nova iluminação da área e a construção de uma pista de corrida no espaço que separa a Raia Olímpica da Marginal. Tudo isso irá custar mais de 2 milhões de reais, montante bancado por um grupo de empresas. A Prevent Senior, companhia de planos de saúde, por exemplo, será a responsável pela substituição do muro pelo gradil, o ponto mais polêmico da iniciativa.

rowe1
Regata na USP: local abriga provas nacionais e internacionais (Redação/Veja SP)
Continua após a publicidade

Inaugurada em 1973, a Raia surgiu como alternativa ao remo na cidade depois que a poluição do Tietê inviabilizou a prática da modalidade no rio. Ela tem 2 200 metros de extensão e 100 metros de largura. Atualmente, cerca de 1 000 adeptos do esporte utilizam o espaço, divididos entre seis clubes: Cepeusp, Pinheiros, Corinthians, Paulistano, Bandeirante e Paineiras. Trata-se da unidade esportiva da USP mais aberta à comunidade externa. Além dos treinamentos, são realizadas ali periodicamente competições, incluindo torneios internacionais. No ano passado, delegações da China e da Rússia usaram o lugar para seus atletas realizarem processo de aclimatação ao país antes das Olimpíadas do Rio. Apesar de estar a poucos metros do Rio Pinheiros, a Raia conseguiu resistir à poluição dos carros. A boa qualidade da água do local, atestada por duas medições anuais, permite a proliferação de peixes, que atraem aves em busca de alimento, como patos, garças e andorinhas. O circuito possui ainda uma rica cobertura vegetal, com destaque para árvores nativas do país, a exemplo de pau-brasil e quaresmeira. A ideia interessante de tornar esse belo conjunto mais visível e acessível aos paulistanos pode ter o efeito colateral de destruir o que ficou preservado ao longo de mais de quatro décadas.

Capivaras
Capivaras: fauna rica ao redor da Raia (Foto Arena/Folhapress/Veja SP)
Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês