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Mortes violentas e consumo de álcool estão relacionados, diz pesquisa

Estudo da USP investigou uso da substância em óbitos decorrentes de homicídios, acidentes de trânsito e suicídios na cidade de São Paulo

Por Agência Brasil 11 jul 2020, 13h26 | Atualizado em 23 Maio 2024, 10h12
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Estudo aponta relação entre o álcool e mortes violentas na capital (Marcelo Camargo/ Agência Brasil/Divulgação)
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Estudo do grupo de pesquisa Álcool, Drogas e Violência da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) avaliou a associação existente entre o consumo de álcool e as mortes violentas na cidade de São Paulo, e sua relação com sexo, idade, causa de morte e concentração de álcool no sangue – chamada de alcoolemia – das vítimas.

Os resultados da pesquisa Consumo de Álcool e Mortes Violentas na Cidade de São Paulo em 2015, que foi o ano mais recente com dados disponíveis, revelam que a associação entre consumo de álcool e acidentes de trânsito com morte foi a mais significativa. Em 32% dos casos de mortes decorrentes de acidente de trânsito, a vítima havia ingerido álcool. Em segundo lugar, ficaram os homicídios, com 30,5% das vítimas sob efeito de álcool.

A partir da coleta de dados nos arquivos do Instituto de Medicina Legal do Estado de São Paulo, foram identificadas 2 882 vítimas de mortes violentas na capital paulista, no ano de 2015, e que foram submetidas ao exame de concentração de álcool no sangue na autópsia. A idade média das vítimas era 33 anos e a maioria era de homens – 2 425 – o correspondente a 84% da amostra.

O álcool foi detectado nas amostras de sangue de 780 vítimas, sendo 27% do total, com concentração média de 1,92 gramas de álcool por litro de sangue. Os pesquisadores ressaltam que esse índice corresponde a cerca de três vezes ao que criminaliza um motorista pego dirigindo sob efeito de álcool (0,6 g/l). Considerando as 780 vítimas, nove em cada dez eram homens.

“Entre o total de 2 882 vítimas da amostra, o homicídio foi a causa de morte mais prevalente na amostra [1 054 vítimas, ou 37% do total]. Os acidentes de trânsito corresponderam a 20% dos casos [581 vítimas], os suicídios a 15% [427 vítimas] e outras causas de mortes acidentais, tais como quedas, afogamento, eletroplessão, intoxicação, entre outros, corresponderam a 28% dos casos [820 vítimas]”, disse o pesquisador Raphael Eduardo Marques Gonçalves.

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Quando consideradas as proporções das vítimas que ingeriram álcool, e considerando a causa da morte, o estudo verificou que 30,5% (322) das vítimas de homicídio tinham ingerido álcool. No entanto, entre as vítimas de acidentes de trânsito, a proporção chegou a 32%, a mais significativa dentro das associações do álcool com mortes violentas. Nos suicídios, a proporção é de 26% e, nas outras causas de mortes acidentais, de 20%.

“A associação do consumo de álcool foi mais forte entre as vítimas de acidentes de trânsito. Mais além, entre as vítimas de acidentes de trânsito a quantidade de álcool consumido também foi maior”, disse Gonçalves. “Conclui-se, portanto, que os resultados obtidos neste estudo sustentam uma potencial associação entre consumo de álcool e mortes violentas na cidade de São Paulo, principalmente em vítimas de acidentes de trânsito”, afirmou Gonçalves.

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