Avatar do usuário logado
Usuário

Morre o arquiteto Paulo Mendes da Rocha aos 92 anos

Vencedor do Prêmio Pritzker, em 2006, foi responsável por projetos como a reforma da Pinacoteca e o Ginásio Antônio Prado Júnior

Por 23 Maio 2021, 14h15 | Atualizado em 27 Maio 2024, 20h12
Paulo Mendes da Rocha
Paulo Mendes da Rocha (Ricardo D'Angelo/Veja SP)
Continua após publicidade

O arquiteto Paulo Mendes da Rocha morreu na madrugada deste domingo (23) aos 92 anos. O falecimento foi confirmado por seu filho, Pedro Mendes da Rocha e a causa da morte não foi divulgada, mas Paulo tratava de um câncer no pulmão.

Em postagem no Facebook, Pedro escreveu:  “Depois de tanto projetar edifícios em concreto e aço, meu pai foi projetar galáxias com as estrelas!”. 

Filho de Paulo Menezes Mendes da Rocha, engenheiro de portos e diretor da Escola Politécnica da USP, o arquiteto nasceu em Vitória, em 25 de outubro de 1928. Em 1954, formou-se em Arquitetura & Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Aos 29 anos, assumiu seu primeiro grande projeto, assinando o Ginásio do Clube Atlético Paulistano, que lhe rendeu o Grande Prêmio Presidência da República na 6ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1961. 

No mesmo ano, começou a dar aula na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), lá foi perseguido pela Ditadura Militar em 1969, sendo afastado do cargo, retornando apenas em 1980 após anistia. Junto de Vilanova Artigas e Fábio Penteado, assinou o projeto do Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado, o Parque Cecap, moradia popular com 4.680 apartamentos, em Guarulhos, seguindo a linha paulista brutalista, da qual fazia parte.

Em 1988, deu início às obras do Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), instalado no Jardim Europa e inaugurado em 1999, pelo qual recebeu o prêmio Mies van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana no mesmo ano.

Continua após a publicidade

Nos anos 90, assumiu grandes construções no centro da capital paulista, como a Praça do Patriarca, em 1992, e a reforma da Pinacoteca de São Paulo, em 1993. Por esta última, levou pelo segundo ano consecutivo o Mies Van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana em 2000.

Em 2006, recebeu a honraria mais importante da categoria, o Prêmio Pritzker, sendo o segundo brasileiro a ganhar o “nobel da arquitetura” ao lado de Oscar Niemeyer, em 1988.

Junto de seu filho Pedro, projetou o Museu da Língua Portuguesa em 2006, o qual passou por um grande incêndio em 2015, mas foi restaurado com o auxílio da dupla.

Continua após a publicidade

A capital portuguesa Lisboa foi a única cidade fora do Brasil a abrigar uma obra de Paulo, que desenhou a nova sede do Museu Nacional dos Coches aberta ao público em 2015.

O último grande projeto concluído pelo arquiteto foi a construção do Sesc 24 de Maio, inaugurado em 2017 no centro da cidade, com treze andares, espelho d’água, piscina na cobertura e concreto aparente em toda a estrutura. Dois de seus desenhos seguem inacabados por problemas financeiros e governamentais, o Cais das Artes, em Vitória, e a Praça dos Museus da USP.

Em setembro do ano passado, Mendes da Rocha doou seu acervo pessoal (cerca de 8 mil desenhos, 3 mil fotografias e slides e um conjunto de maquetes) para a Casa da Arquitectura, em Portugal. A decisão gerou polêmica, com pedidos da FAU-USP para receber a coleção negados.

Continua após a publicidade

Assine a Vejinha a partir de 8,90 mensais

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês