Medicamento experimental para tratar Lito Sousa chega ao Hospital Albert Einstein
Importado de emergência dos EUA, o ALN-6457 foi transportado de helicóptero para o hospital após liberação expressa na alfândega
O medicamento experimental ALN-6457, destinado ao tratamento do especialista em aviação e influenciador Lito Sousa, de 59 anos, já está no Hospital Israelita Albert Einstein, na Zona Sul da capital.
A medicação desembarcou no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na noite de sexta-feira (11), vinda de Nova York, e passou por uma operação logística de guerra para garantir sua eficácia.
A liberação pela Receita Federal ocorreu em questão de minutos após o pouso do voo. Para não comprometer o potencial terapêutico da substância, a medicação foi levada imediatamente de helicóptero do aeroporto até o hospital paulistano.
Por não possuir registro comercial nem representante legal no Brasil, a importação exigiu um trâmite excepcional: a Anvisa antecipou as etapas burocráticas após o Einstein acionar um programa de uso compassivo — recurso concedido a pacientes em estados graves e sem alternativas terapêuticas disponíveis no mercado.
Doença rara
A saúde de Lito Sousa virou notícia primeiro no fim de julho, quando o comunicador revelou um diagnóstico de câncer de próstata.
Alguns dias depois, o youtuber começou a perceber a perda dos movimentos do braço esquerdo, além de um emagrecimento veloz, devido a uma encefalite.
Criador do canal Aviões e Músicas, Lito foi diagnosticado com a Doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição cerebral degenerativa rara, de progressão rápida e com taxa de letalidade altíssima, provocada pelo acúmulo de proteínas anormais (príons) no cérebro.
Mecânico internacional de aviões, Lito tem milhões de seguidores nas redes sociais e no YouTube.
Em seus vídeos, o especialista explica como funcionam as aeronaves, detalha acidentes aéreos e combate o medo comum de voar de avião com uma linguagem acessível e divertida.
A enfermidade afetou rapidamente suas habilidades motoras, embora ele permaneça consciente.
Segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 1.576 casos suspeitos no Brasil entre 2005 e 2021. Até o momento, não há tratamento efetivo para alterar a evolução fatal da doença, e aproximadamente 90% dos acometidos falecem em um ano.
O uso do ALN-6457 será em caráter inédito e compassivo, já que a substância ainda não possui ensaios clínicos formais iniciados em humanos para doenças priônicas. Lito aguardava vaga para testes clínicos nos Estados Unidos antes da viabilização da vinda do remédio.






