Marcelo de Carvalho, ex-dono da RedeTV!, é condenado a pagar R$ 100 mil por publicação preconceituosa
Apresentador terá de desembolsar valor em danos morais coletivos e fazer retratação pública nas redes sociais
A Justiça de São Paulo condenou o apresentador e empresário Marcelo de Carvalho, ex-dono da RedeTV! , a pagar uma indenização de R$ 100 000 por danos morais coletivos.
A decisão atende a uma ação civil pública movida pela organização Educafro Brasil (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), que acusou o comunicador de racismo e xenofobia após uma publicação feita em suas redes sociais.
Entenda a publicação que motivou a ação
O caso teve origem em julho de 2025, quando Carvalho relatou na internet que o irmão de seu filho mais velho havia sido vítima de um assalto na cidade de Barcelona, na Espanha. Na ocasião, o empresário atribuiu o roubo de um celular a “obviamente um sujeito de aparência africana, dos milhões que a Europa deixou entrar” e completou afirmando que “ao invés de salvar os muçulmanos africanos, vão acabar com a Europa”.
Diante da repercussão negativa, a postagem original foi removida do perfil.
A decisão judicial
Na 26ª Vara Cível da capital, o juiz Renan Zanetti avaliou que o apresentador estabeleceu uma correlação direta, generalizante e depreciativa entre a origem étnica e racial de pessoas africanas e a propensão à prática de crimes patrimoniais.
Na sentença, o magistrado destacou que a livre manifestação do pensamento não tem natureza absoluta e encontra limites na dignidade da pessoa humana e no combate à discriminação.
Além da quantia de 100 mil reais, que será destinada ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos de São Paulo para ações de promoção da equidade racial, a sentença determina que Marcelo de Carvalho publique uma retratação em seu perfil que fique no ar por no mínimo 30 dias.
Defesa nega discriminação e promete recorrer
Em sua defesa no processo, o apresentador sustentou que apenas exerceu o direito à liberdade de expressão e que a descrição do suspeito foi literal, focando o debate na relação entre políticas migratórias europeias e a segurança pública.
O advogado Carlos Eduardo Bernardini, que representa o comunicador, afirmou à Folha de São Paulo que não houve qualquer comentário discriminatório contra a comunidade afrodescendente e informou que adotará as medidas necessárias para reverter a sentença no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
A emissora do apresentador foi procurada para se pronunciar sobre a decisão, mas não respondeu até a publicação desta matéria.






