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Duas vovós corajosas em “Lola”

No drama filipino, idosas batalham para conseguir dinheiro na caótica Manila

Por Miguel Barbieri Jr. 22 jul 2011, 21h00 | Atualizado em 14 Maio 2024, 12h15

Desde 2007, a distribuidora maranhense Lume Filmes lança em DVD clássicos como “O Discreto Charme da Burguesia”, de Luis Buñuel, e “O Conformista”, de Bernardo Bertolucci. As estratégias de crescimento da empresa atingem agora o cinema, com a estreia de Lola, a primeira fita do filipino Brillante Mendonza a ganhar o circuito comercial — ele tem oito produções anteriores, todas inéditas no Brasil.

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Em cena, há duas lolas, como são chamadas as vovós nas Filipinas: Sepa (a fabulosa Anita Linda) e Puring (Rustica Carpio). Ambas paupérrimas, elas vivem a duras penas em casebres de Manila e, destemidas, tentam conseguir dinheiro com o rosto marcado dos idosos e a tenacidade dos jovens. O formidável roteiro foca primeiro na dor de dona Sepa. Ela perdeu o neto, assassinado por causa de um celular, e precisa de grana para enterrá-lo. Pouco tempo depois, surge Puring, uma feirante clandestina cuja maior batalha consiste em livrar das grades seu neto, acusado da morte do rapaz. As duas tristes histórias vão se encontrar, levando o espectador a compartilhar sofrimentos e dilemas das protagonistas.

Mendonza percorre as ruas da capital filipina com uma câmera bastante ágil e colada nas personagens. Extensos planos-sequência de tirar o fôlego mostram registros da burocracia aos tormentos provocados pelas chuvas torrenciais no país asiático. Mesmo diante de tanta desgraça, o enredo ganha certo encanto em situações menos duras. Exemplo: a singela cena da pescaria dentro de casa, capaz de deixar esfuziante o ator mirim Bobby Jerome Go.

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Além da autenticidade para registrar o povo comum de sua terra, o cineasta explicita o caráter (às vezes duvidoso) de Sepa e Puring. Através de saídas não muito nobres, elas tentam, sempre em nome da família, escapar do mais fundo buraco financeiro. A grandeza de Lola está nos detalhes, na observação aguda e sensata, no olhar documental e sem julgamentos morais de um realizador em ascensão.

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