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3 perguntas para… Ivaldo Bertazzo

Diretor e coreógrafo paulistano promove estreia na sexta (10) do espetáculo 'Corpo Vivo — Carrossel das Espécies'

Por Carolina Giovanelli 3 set 2010, 22h51 | Atualizado em 5 dez 2016, 18h37

Aos 61 anos, o diretor e coreógrafo paulistano Ivaldo Bertazzo ministra aulas de reeducação do movimento disputadas até por celebridades, como Zeca Camargo e Maitê Proença. Já foi jurado do quadro Dança dos Famosos, do ‘Domingão do Faustão’, e apresentou um bloco quinzenal no ‘Fantástico’. Mas é conhecido, sobretudo, pelo trabalho iniciado oito anos atrás com jovens carentes. Os pupilos cresceram e hoje compõem o elenco da companhia de Bertazzo. Na sexta (10), eles estreiam, no teatro do Sesc Pinheiros, o espetáculo ‘Corpo Vivo — Carrossel das Espécies’.

Qual é a ideia do espetáculo?

Mesmo com tanta evolução, o funcionamento do corpo humano ainda é uma questão muito complexa. O objetivo de Corpo Vivo’ foi transformar em poesia as fragilidades e os pontos altos da locomoção da espécie humana. Por isso, faço a relação com vários animais. O peixe simboliza o bebê na barriga, a fase de engatinhar é representada pelo réptil e, quando o homem fica em pé, ele quase flutua, então é como um pássaro. Bonito, né? Tudo isso mostrado a partir de diversos tipos de dança, como a indiana, a espanhola e o street. São passos que exigem muito dos bailarinos. Se eu precisasse fazer o que eles fazem hoje, teria de ir para o pronto-socorro no meio da cena.

Por que costuma investir na mistura de dança e dramaturgia?

Existem espetáculos puros, e não acredito que essa fórmula tenha se esgotado. Mas acho interessante ficar no meio do caminho. A Pina Bausch sempre trazia um artista que tinha alguma fala, como um complemento. No teatro, percebo atores cada vez mais conscientes do próprio corpo e o uso de vários recursos cenográficos de movimento. Isso amplia a emoção do público.

Como foi o seu trabalho com jovens carentes?

Um desafio. Para que virassem profissionais e fossem incluídos na sociedade, meu objetivo era dar o que eles não tinham num ensino formal fraco. Isso não quer dizer tocar sucata. A gente apelava para esses métodos quando não tinha outro jeito. Mas chega! Devem-se ensinar coisas mais complexas, que eles vão penar para aprender. Não é só dançar. São muitos os aspectos necessários para construir um ser humano melhor. Por isso, introduzi teatro e música nas aulas e exijo que eles atuem como professores fora da companhia. Ser bailarino, somente, parece um pouco autista. Para um jovem da periferia, pensar estritamente no corpo é um suicídio. Consegui mostrar que eles eram seres humanos, com vinte dedos e duas pernas, igual a todo mundo, e não “gente da periferia”.

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