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Bruno Covas perde poder e prestígio na gestão Doria

O político, que chegou a ser apontado como o futuro prefeito, deixou a Secretaria das Prefeituras Regionais

Por Sérgio Quintella Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 nov 2017, 06h00 | Atualizado em 5 jul 2026, 17h24
João Doria e Bruno Covas
O prefeito João Doria e vice, Bruno Covas: mudança na Secretaria das Prefeituras Regionais (Charlos Sholl/Estadão Conteúdo)
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Desde que venceu as eleições, João Doria prometia que seu colega de chapa não teria papel decorativo. Por isso, entregou a Bruno Covas um dos cargos de maior visibilidade, a Secretaria das Prefeituras Regionais. Com orçamento anual de 500 milhões de reais, ela cuida de programas como o Cidade Linda.

Quando o chefe gozava o auge da popularidade entre os paulistanos e começou a sonhar com a candidatura à Presidência, o vice passou a ser tratado pelos companheiros de alto escalão do governo como o futuro prefeito. Animado com as perspectivas e de bem com a vida, perdeu 18 quilos, adotou barba rala, cabeça raspada, pele bronzeada e roupas descoladas. Em agosto, tirou doze dias de folga para dar uma esticada com amigos até a Croácia. Em outubro, engatou turnê de duas semanas por Paris.

Esse cenário promissor, no entanto, mudou radicalmente nas últimas semanas. Na quarta passada (1º), o político, que é neto de Mario Covas (1930-2001), perdeu a poderosa secretaria. Foi substituído na função pelo advogado Cláudio Carvalho, ex-CEO da construtora Cyrela, que ocupava o cargo da agora extinta Secretaria de Investimento Social. O vice assume a recém-criada Secretaria da Casa Civil e dividirá com Julio Semeghini, da Secretaria de Governo, a tarefa de coordenação política.

Cidade Linda
Ação do Programa Cidade Linda (Bruno Rocha/Foto Arena/Veja SP)

Uma recente pesquisa do Datafolha mostrou que 32% dos paulistanos aprovam a atual gestão, queda de 9 pontos desde junho. Entre os motivos para o desencanto está justamente a zeladoria urbana, até então tarefa do vice. Dados do Tribunal de Contas do Município apontam declínio de 37% nos gastos com a drenagem de bueiros e córregos, e de 16% com a manutenção de vias públicas, de janeiro a julho. As reclamações ao serviço de tapa-buraco lideram o ranking da ouvidoria municipal, com 89 000 chamadas só nos três primeiros meses.

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Essas e outras derrapadas já haviam provocado a queda do braço-direito de Covas, o secretário adjunto Fabio Lepique, há duas semanas. Oficialmente, Doria diz que mudanças são normais no mundo empresarial, como gosta de comparar. “Eu e meu vice temos uma relação de igualdade, continuamos juntos”, garante. Covas também minimiza a troca: “Quem apostar que estamos divididos vai perder”.

Mas, nos bastidores, assessores fazem insinuações sobre descontentamento com uma suposta falta de comprometimento do vice. As viagens para a Europa o impediram de comandar a prefeitura mais vezes. Em três ocasiões, o presidente da Câmara, Milton Leite, assumiu a metrópole devido à ausência simultânea de Doria e Covas.

Claudio Carvalho
Cláudio Carvalho: aposta em recapeamento de avenidas importantes (Bruno Rocha/Foto Arena/Veja SP)
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Cláudio Carvalho é visto como um gestor experiente no setor privado. Seu principal trunfo na pasta de Investimento Social, responsável por gerenciar doações à prefeitura, foi reunir mais de 50 milhões de reais destinados à construção dos Centros Temporários de Acolhimento para moradores de rua. Ao assumir a nova missão, anunciou o recapeamento de 3,5 milhões de metros quadrados de ruas a partir deste mês. “Daremos preferência às vias maiores, para melhorar a percepção das pessoas em relação à cidade”, afirma.

Foi a quinta mudança no secretariado em dez meses. No mesmo período, seu antecessor, Fernando Haddad, promoveu apenas uma alteração — Antonio Donato pediu demissão em novembro de 2013 após ser acusado de corrupção na Máfia do ISS (a investigação foi arquivada por falta de provas). Para pessoas próximas, o troca-troca tem a ver com o perfil de Doria, que sempre se mostrou intolerante com qualquer lentidão no trabalho. Em tempos de popularidade em baixa, essa impaciência aumentou. Sobrou para Covas.

Dança das cadeiras

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As pessoas que deixaram a gestão em 2017

Secretaria de Desenvolvimento Social – 17 de abril
Saiu: Soninha Francine

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Entrou: Filipe Sabará

Secretaria de Direitos Humanos – 24 de maio
Saiu: Patrícia Bezerra
Entrou: Eloisa Arruda

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Secretaria de Trabalho – 8 de julho
Saiu: Eliseu Gabriel
Entrou: Aline Cardoso

Secretaria do Verde e Meio Ambiente – 18 de agosto
Saiu: Gilberto Natalini
Entrou: Eduardo de Castro

Secretaria das Prefeituras Regionais – 1º de novembro
Saiu: Bruno Covas
Entrou: Cláudio Carvalho

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