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Aflições paulistanas: aposentadoria

Pessoas de 60 a 80 anos questionam seus terapeutas em relação às opções para a vida sem trabalho

Por Daniel Bergamasco 4 ago 2012, 00h51 | Atualizado em 18 ago 2025, 10h45

Aos 81 anos, o novelista Benedito Ruy Barbosa tem trabalhado dez horas por dia preparando sinopses de projetos para a Rede Globo. Como já sofreu um derrame que o deixou em coma em 2006, teve de se instalar em uma casa em Moema, perto de um hospital, para o caso de emergências. “Tomo os cuidados que forem necessários, mas não vou deixar de escrever enquanto tiver forças”, diz ele, tentando esquecer do único ano sabático de sua vida, após o acidente vascular. “Aquilo foi uma quase morte para mim”, confessa.

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A analogia não é incomum. Sessentões e oitentões nos consultórios de psicoterapia se perguntam no divã: há perspectivas após a aposentadoria? “A nossa cultura prepara os cidadãos para decolar, não para aterrissar. Trabalhamos tanto que entramos no automático e não planejamos o que fazer quando não for mais preciso batalhar pelo sustento”, explica Eloisa Penna. Alguns se encontram num hobby ou fazendo cursos, mas deixar de ser criativo vira um martírio para quem não se encaixa na nova rotina, sentimento pior em uma metrópole onde o tempo é aflitivo, parece passar rápido. “A cultura da juventude eterna é mais intensa aqui”, lembra Eloisa. “Se você vai ao Parque do Ibirapuera, os idosos não ficam compartilhando o dia com os pares da idade, como nas pracinhas do interior, mas paramentados para parecer tão atléticos quanto os frequentadores de 30 anos.”

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