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A hora de investir na Vila Leopoldina

De carona nos novos prédios, empresários apostam no crescimento da região

Por Edison Veiga 18 set 2009, 20h36 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h21

Em dezembro do ano passado, o empresário Luiz Massella resolveu ampliar sua pizzaria, a Ritto. Com mais 45 lugares, ela passou a comportar 185 clientes. Fez bem. Afinal, se em 2005 a casa costumava receber 280 pessoas em uma noite de sábado, agora são cerca de 350. “E espero continuar crescendo de 20% a 25% ao ano”, diz. O movimento em seu restaurante é reflexo do momento vivido pela Vila Leopoldina, bairro que fica entre a Lapa e o Alto de Pinheiros, na Zona Oeste. A região foi descoberta pelo mercado imobiliário em meados dos anos 90. Pouco tempo depois, passou a receber um grande número de edifícios residenciais destinados à classe média. Além da oferta de apartamentos cada vez maior, uma das razões dessa atração é a boa localização, nas proximidades das marginais e do Parque Villa-Lobos, por exemplo. “Se continuar assim, daqui a dez anos a Vila Leopoldina será uma nova Moema”, prevê Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

É uma ótima notícia para quem tem imóvel no bairro. Em 1996, o preço do metro quadrado de área construída não chegava a 1 500 reais. Hoje, custa o dobro – para comparar, em Moema o valor médio é de 5 300 reais. “Quando, há dois anos e meio, paguei 380 000 reais por meu apartamento de 180 metros quadrados, não esperava essa valorização”, afirma a engenheira civil Adriana Marcellino. “Foi um belo investimento.” Nascido de um loteamento realizado em 1894, o bairro era o endereço de diversas olarias no início do século XX. Na década de 50, com a construção do Centro Industrial Miguel Mofarrej, grandes indústrias se instalaram por lá. De certa forma, esse passado preparou terreno para os espigões que atualmente são erguidos ali. “É mais fácil negociar com um só proprietário do que com diversos donos de casinhas, quando precisamos de uma área para construir um novo prédio”, explica Fabio Romano, gerente de uma incorporadora que atua no bairro. “A procura é tão grande que temos vendido um apartamento por dia.” De carona com o progresso, vem o problema do trânsito. Moradores da Rua Carlos Weber – onde estão dezessete dos últimos 61 lançamentos na Vila Leopoldina – já reclamam que, em horário de pico, a situação está complicada. “A rua é estreita para ser mão dupla”, diz Adriana Marcellino. “A CET precisa tomar providências logo.”

No encalço dessa corrida imobiliária, os estabelecimentos comerciais funcionam como um acabamento do novo perfil da região. “Decidimos apostar, já que hoje há muita gente com alto poder aquisitivo morando por aqui”, conta o empresário Marco Antonio Soraggi, que inaugurou sua loja de computadores no início deste mês. Mercados, farmácias, locadoras, papelarias… Aos poucos, os moradores da Vila Leopoldina começam a ter de tudo na porta de casa. “Reinávamos sozinhos. Agora, é preciso investir para não perder espaço para a concorrência”, admite o empresário Paulo Henrique Alves, que vai gastar 1,6 milhão de reais na reforma de sua padaria. Ele pretende atender, no início do ano que vem, 140 pessoas sentadas. Hoje, tem apenas 25 lugares. “O público daqui mudou”, constata. “Os vizinhos não querem somente entrar na padaria para comprar um pãozinho, mas tomar seu café-da-manhã conosco.”

Números do bairro

1 294 unidades

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foram lançadas nos últimos dois anos

250 000 reais

é o preço médio de um apartamento de 90 metros quadrados

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2 800 reais

é o preço médio do metro quadrado – há dez anos, não chegava a 1500 reais

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