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Campo de Marte: a disputa entre o novo parque, o futebol de várzea e o samba

O clube Cruz da Esperança está no Campo de Marte desde 1979 e abriga o popular Samba do Cruz. A Justiça fixou, no dia 26 de março, um prazo de 60 dias para a desocupação do espaço, onde será construído um parque municipal, concedido à iniciativa privada.

É o capítulo mais recente de uma disputa antiga pelo território na Zona Norte. O aeroporto, inaugurado em 1929, esteve em posse da União de 1932 a 2022. Hoje a prefeitura mantém 19% do terreno, o equivalente a 406 000 metros quadrados.

Esse pedaço abriga um importante reduto de futebol de várzea desde os anos 60, com autorização do IV Comando da Aeronáutica. Seis clubes formavam o complexo, e quatro assinaram um acordo para seguirem na área, com novos campos e sedes.

Até o momento, o Cruz da Esperança está de fora do projeto do Parque Campo de Marte. Entre os impasses estão a venda de bebidas e o horário das rodas de samba, que ultrapassa o funcionamento dos equipamentos municipais.

O clube foi fundado em 1958 por um grupo de taxistas negros, inspirados pela conquista da Copa do Mundo pelo Brasil. Desde os anos 80, a sede é um ponto de encontro, com bailes de samba-rock. Pelo terrão passaram jogadores como Serginho Chulapa e Basílio

Segundo a prefeitura, o acordo assinado com os clubes vizinhos garante a eles a gestão compartilhada dos novos campos. O projeto do parque ainda prevê a “manutenção das atividades de futebol de várzea e melhor estrutura para os clubes”.

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