Vacina contra o HPV: entenda por que a dose única é eficaz
O Brasil, em 2025, passou a oferecer a dose única também para jovens de 15 a 19 anos
A mudança mais recente na estratégia de vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano) no Brasil é a adoção do esquema de dose única para a faixa etária de 9 a 14 anos. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, a decisão do Ministério da Saúde se baseia em um corpo crescente de evidências científicas robustas que mudam o jogo da prevenção.
Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio da Royal Society e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), publicado recentemente na revista The Lancet, indicou que a vacina contra o HPV reduziu em 58% dos casos de câncer de colo de útero e em 67% as lesões pré-cancerosas (NIC3) no Brasil.
Segundo a secretaria, o estudo avaliou dados do Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2019 e 2023, de mais de 60 milhões de mulheres a cada ano, com idades entre 20 e 24 anos, para analisar o impacto da vacinação no Brasil.
Apesar de a estratégia de dose única ainda não ter sido implementada nesta época, os pesquisadores avaliaram apenas a primeira dose oferecida na pesquisa. A vacina é fabricada no Instituto Butantan, em São Paulo.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Panamericana da Saúde (OPAS), inclusive, se estende para pessoas de até 20 anos.
Com base nisso, o Brasil, em 2025, passou a oferecer a dose única também para jovens de 15 a 19 anos. O grupo prioritário no país inclui ainda imunossuprimidos, vítimas de violência sexual e pessoas com outras condições específicas, que podem receber a vacina até os 45 anos em um esquema de três doses, conforme disposição do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Proteção contra câncer de colo de útero
Outros estudos realizados em diferentes partes do mundo, como Costa Rica, Índia, Quênia e Tanzânia, demonstraram que uma única dose oferece um nível de proteção contra o câncer de colo do útero semelhante ao de esquemas com duas ou três doses para pessoas sem imunossupressão.
A estratégia mundial para acelerar a eliminação do câncer do colo do útero, adotada em 2020, estabeleceu como meta que, até 2030, os países atinjam 90% de cobertura da vacinação contra HPV para meninas aos 15 anos de idade.
A imunização das garotas (atingindo alta cobertura, >80%) tem um efeito benéfico secundário ao reduzir o risco de infecção em meninos. É importante notar que a vacina também é recomendada para eles, conforme o calendário de vacinação de cada país.
Para pessoas imunocomprometidas, incluindo aquelas com HIV, o esquema vacinal é diferente, sendo recomendadas três doses, se possível, ou pelo menos duas doses (com intervalo de 6 meses).
Essa simplificação é um divisor de águas: facilita a logística de imunização, aumenta a cobertura e previne contra o câncer de colo do útero — o terceiro câncer mais mortal entre as brasileiras, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).
A seguir, estão os principais motivos que embasaram a adoção dessa nova política, conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), e a decisão do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, abordadas pelo médico Mário Bochembuzio e na publicação “Controvérsias em Imunizações 2024”, publicado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBiM).
Sobre a vacina e o HPV
O HPV é o nome de um grupo de mais de 200 vírus. Os tipos de HPV de alto risco, como o HPV 16 e o HPV 18, são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero em todo o mundo.
A urgência de vacinar é sublinhada pelas estatísticas regionais: o câncer é a segunda maior causa de morte entre adultos na região das Américas. A cada ano, 36.797 mulheres na região morrem devido ao câncer do colo do útero.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), pelo menos 15 mil casos de câncer em homens são causados pelo HPV por ano. A vacinação de meninos é, portanto, crucial não apenas para a proteção individual deles, mas também para a saúde coletiva.
“Ao vacinar os meninos, reduz-se a circulação geral do vírus na população, protegendo a todos e contribuindo para a imunidade de grupo”, informa o Butantan.





