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Janeiro Branco: mês de conscientização alerta para saúde mental na adolescência

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2019 mostra que mais da metade dos jovens sentem preocupação constante e mais de 30% diz sentir tristeza constante

Por Redação VEJA São Paulo Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
5 jan 2026, 15h58 •
autodiagnóstico mental
 (Google Whisk/Reprodução)
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  • O primeiro mês do ano protagoniza a campanha nacional de conscientização sobre saúde mental: o Janeiro Branco. Durante esse período, o tema deve ser discutido com especial relevância entre os jovens e adolescentes.

    Essa parcela da sociedade tem se mostrado cada vez mais ansiosa. Segundo dados de 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, mais da metade dos adolescentes brasileiros se sentem frequentemente preocupados e cerca de 31,4% relatam tristeza persistente. 

    A pesquisa analisou informações de 125 mil alunos entre 13 e 17 anos em todo o país. Desse total, 17,7% ainda avaliaram de forma negativa a sua saúde mental.

    “A adolescência é um período de intensas transformações emocionais, sociais e identitárias. Nem todo sofrimento faz parte de um transtorno psiquiátrico, mas todo sofrimento merece atenção”, explica Alaor Carlos de Oliveira Neto, psiquiatra e coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

    Autodiagnóstico nas redes

    Outra camada do tema que chama a atenção é a vulnerabilidade ao excesso de informações nas redes sociais acerca da saúde mental e autodiagnósticos, na medida em que o ambiente digital se faz constantemente presente na realidade dos mais jovens.

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    Especialistas afirmam que, apesar do debate nas redes reduzir o estigma acerca das doenças mentais, ele não dispensa a necessidade de avaliação clínica. “Hoje, muitos jovens entram em contato com informações sobre saúde mental muito cedo. Isso tem um aspecto positivo, porque reduz o silêncio e o estigma. Ao mesmo tempo, cria o risco de confundir informação com diagnóstico”, afirma o psiquiatra.

    Dessa forma, os conteúdos compartilhados na internet, como relatos pessoais e lista de sintomas, podem ajudar o jovem a nomear seus sentimentos e a buscar ajuda, mas devem ser cuidadosamente avaliados. Um autodiagnóstico fechado antes mesmo de uma avaliação especializada pode atrasar intervenções mais adequadas.

    O psiquiatra Alaor orienta que o diagnóstico não deve ocupar uma função de identidade ou explicação nata da vida de uma pessoa, mas deve ser encarado como uma ferramenta clínica para orientar o cuidado.

    “Cuidar da saúde mental não é buscar um diagnóstico rápido, nem atender a padrões idealizados de funcionamento. É reconhecer limites, entender o próprio momento de vida e procurar ajuda quando o sofrimento começa a interferir na qualidade de vida”, conclui.

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