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“Borboleta Azul” mostra mulheres que sonham em ter outra vida

Diferente de "Cine Camaleão — A Boca do Lixo", novo espetáculo do Pessoal do Faroeste prima pelo minimalismo

Por Dirceu Alves Jr. 4 ago 2012, 00h51 | Atualizado em 18 ago 2025, 10h46
“Borboleta Azul” mostra mulheres que sonham em ter outra vida Priorizar nos meus resultados Google

Ao sair da Rua Mauá, praticamente ao lado da Sala São Paulo, e entrar na Rua do Triunfo, depara-se com a Sede Luz do Faroeste. Parece ironia o fato de o agradável e bem decorado espaço da Cia. Pessoal do Faroeste estar situado num pedaço hostil da região da Luz, onde se podem encontrar dezenas de remanescentes da Cracolândia. Mas basta atravessar a porta do teatro para o espectador ser transportado para um lugar distante dali e impreciso, no qual a magia é quebrada apenas por um ou outro barulho da rua.


+ Leia o blog de Dirceu Alves Jr.

Ambientado em uma área rural do Brasil, o drama “Borboleta Azul”, escrito e dirigido por Paulo Faria, buscou elementos em trechos do romance “O Estrangeiro”, de Albert Camus — nota-se também a influência da obra de Guimarães Rosa. A plateia, porém, é conquistada pela sensível abordagem, dispensando as referências intelectuais. Em uma pista, ladeada por arquibancadas, surge o simples cenário para reproduzir uma pensão sempre às moscas. Por lá moram a amarga Cora (papel de Juliana Fagundes) e a filha caçula, Belbelita (a atriz Thais Aguiar), ansiosa por mudar de vida. Além de clientes para ocupar os quartos, as duas aguardam uma visita. Há três décadas, a mãe vendeu seu primogênito sonhando que ele enriquecesse e voltasse para buscá-las. Um misterioso hóspede, Rafael (o ator Beto Magnani), com uma mala cheia de dinheiro, talvez ofereça a chance de elas deixarem a cidade ameaçada pela construção de uma usina.

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Diferente da estética kitsch de “Cine Camaleão — A Boca do Lixo”, a bem-sucedida peça anterior do Pessoal do Faroeste, o espetáculo prima pelo minimalismo. Juliana Fagundes impressiona na pele de Cora, transitando pela ambiguidade, o rigor e até a perversão. A direção dosa com cuidado o brilho dos atores. Igualmente dúbia, a Belbelita de Thais Aguiar mescla ambição, sensualidade e o cansaço diante da rotina. Mais previsível do trio — em função do personagem —, Magnani compensa na intensidade de Rafael. Mesmo sem surpreender, a dramaturgia prende por enfocar seres com conflitos bem desenhados. E, de quebra, mostra a persistência do grupo em tentar levar a plateia a um canto da cidade evitado por muitos.

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