Shopping JK abre as portas e põe fim à novela
Enquanto o estabelecimento recebe aval para abrir, outros enfrentam problemas na Justiça
Com dois meses de atraso, o Shopping JK Iguatemi recebeu, na semana passada, a certidão de conclusão das obras (habite-se) e anunciou que abriria suas portas na última sexta (22). Localizado na esquina das avenidas das Nações Unidas e Juscelino Kubitschek, o centro de compras foi impedido pela Justiça de iniciar suas atividades em abril sob a justificativa de que não havia terminado as melhorias viárias que ajudariam a reduzir o impacto no trânsito da região.
+ JK Iguatemi à espera dos clientes
O novo acordo com a prefeitura adiou para o fim do ano a conclusão de parte dessas reformas, como a construção de um viaduto e uma passarela. Entre as contrapartidas já entregues estão a alça de acesso para a Ponte Cidade Jardim e o alargamento de um trecho de 9 quilômetros da Marginal Pinheiros. O empreendimento — com 182 lojas distribuídas em 116.000 metros quadrados de área e erguido a um custo de cerca de 320 milhões de reais — integra um complexo formado ainda por duas torres e pelo ex-prédio da Daslu, que serão inaugurados futuramente com salas de escritório.
Enquanto a novela do JK ia chegando ao fim, outros cinco shoppings da cidade entraram na mira da Justiça, acusados de suposto pagamento de propina a funcionários da prefeitura e de outros órgãos públicos — entre os suspeitos estão o já notório ex-diretor do Departamento de Aprovação de Edificações Hussain Aref Saab e o vereador Aurélio Miguel (PR).
Um dos principais alvos é o Pátio Higienópolis, que pode perder o alvará após denúncias de que teria obtido a liberação mesmo com número de vagas de garagem menor do que o exigido. Os casos vieram à tona após o depoimento ao Ministério Público (MP) de Daniela Gonzalez, ex-diretora financeira da Brookfield Gestão de Empreendimentos. A empresa chegou a ser responsável pelos cinco endereços paulistanos que estão sob inquérito do MP. Atualmente, apenas dois deles (Pátio Paulista e Raposo) continuam sob sua administração. “Temos convicção de que os denunciados faziam parte de um esquema ilegal”, afirma o promotor Silvio Antonio Marques. A Brookfield nega as acusações. Os shoppings também.
Endereços sob suspeita
Os empreendimentos investigados. Seus responsáveis negam as acusações
Na aprovação de uma reforma em 2008, comprometeu-se a oferecer mais 470 vagas de garagem, o que não teria sido concretizado.
Em 2009, não teria realizado obras para desafogar o trânsito nos arredores, contrapartida exigida pela prefeitura à época para a realização de uma ampliação.
Funcionários do DER teriam permitido a construção de um acesso da Rodovia Raposo Tavares ao local após pagamento de uma propina de cerca de 530.000 reais.
Segundo o Ministério Público, um operário morreu em 2009 durante a construção, e os diretores do centro de compras teriam efetuado pagamento de suborno a funcionários da Subprefeitura de Pinheiros para evitar que o processo de investigação atrasasse o cronograma previsto para o término das obras.
Há suspeita de pagamento de propina de 200.000 reais a Hussain Aref Saab e ao vereador Aurélio Miguel para que o shopping não fosse incluído no relatório final da CPI do IPTU, em 2009, que investigou problemas no pagamento do tributo em grandes empreendimentos.
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