Avatar do usuário logado
Usuário

Hotéis estão mais cheios e mais caros

Estabelecimentos batem recorde de lotação e diárias aumentam 65% de 2005 para cá

Por Giovana Romani 6 Maio 2011, 19h10 | Atualizado em 1 jun 2017, 18h33
Alta na Hospedagem - Tabela
Alta na Hospedagem - Tabela (Fonte: SPTuris/)
Continua após publicidade
Hotéis estão mais cheios e mais caros Priorizar nos meus resultados Google

No mês passado, 89.000 pessoas lotaram o Estádio do Morumbi para curtir os sucessos da banda irlandesa U2. Naquela quarta-feira (13), a capital sediava ainda sete grandes feiras de negócios, que também atraíram um grande fluxo de visitantes. Resultado: hotéis completamente lotados. “Foi uma situação atípica”, afirma Bruno Omori, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (Abih-SP).

Períodos de pico como esse, porém, têm se tornado cada vez mais frequentes. A taxa de ocupação registrada em 2010 foi de 68,5%. Trata-se de um recorde histórico e representa um crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior (veja o quadro abaixo). “Se continuar nesse ritmo, dentro de cinco anos o setor estará saturado”, prevê Roland de Bonadona, diretor-geral da rede francesa Accor na América Latina.

Até o início dos anos 90, a situação era justamente a inversa: havia leitos demais para hóspedes de menos. “O mercado tinha parado”, lembra Chieko Aoki, fundadora da rede Blue Tree Hotels. Os tempos difíceis ficaram para trás e o aumento constante da procura serviu de pretexto para os empresários da área praticarem reajustes agressivos. No primeiro trimestre deste ano, o preço da diária média na metrópole era 224 reais — um aumento de 65% em relação aos 136 reais registrados no mesmo período de 2005. Até os chamados endereços “econômicos” não andam tão em conta assim. Quando foi inaugurado, há dez anos, o Formule 1, do grupo Accor, cobrava 39 reais pela diária sem café da manhã. Hoje, esse serviço tem cotação de 129 reais. A concorrência também vai pelo mesmo caminho. No último domingo (1º), por exemplo, a tarifa do Ibis localizado em frente ao Aeroporto de Congonhas subiu 10 reais. Passou para 195 reais de segunda a sexta e 165 reais nos fins de semana. Na Europa, redes que atuam dentro de um conceito semelhante, como a EasyHotel, cobram a partir de 45 reais.

Salão do Automóvel
Salão do Automóvel ()
Continua após a publicidade

Mantido o ritmo atual de crescimento do mercado, os estabelecimentos podem chegar dentro de um prazo relativamente curto a taxas de ocupação na faixa de 80%, o mesmo índice registrado por grandes centros no exterior (veja o quadro abaixo). Como o número de eventos realizados na cidade continua aumentando a cada ano e com a proximidade da Copa do Mundo, muitos temem que a expansão da infraestrutura hoteleira não acompanhe a evolução do fluxo de visitantes (foram 11,7 milhões de turistas em 2010, ou 40% a mais que o total registrado sete anos atrás). Até 2014, a metrópole deve ganhar mais 2 000 quartos, o que ainda é considerado modesto por especialistas. “Contamos com a atuação do poder público para evitar chegar a esse ponto”, diz Bonadona, do grupo Accor.

 

A situação aqui e lá fora - Tabela
A situação aqui e lá fora – Tabela ()
Continua após a publicidade

Aumentar rapidamente a rede hoteleira representa um grande desafio. Terrenos em regiões centrais como Jardins e Moema são escassos e caríssimos. A solução? Expandir a oferta de quartos com investimentos em outras áreas, como as zonas Norte e Leste. O problema? Falta de transporte público eficiente para que o turista possa se deslocar com facilidade. A recuperação de áreas degradadas, como a Cracolândia, poderia atrair para lá grandes redes do setor.

No Rio de Janeiro, que enfrenta desafio semelhante, suítes de motéis estão sendo transformadas em quartos comuns, a fim de dar conta rapidamente do aumento da demanda por hospedagem. Em São Paulo, não se tem notícia de medidas emergenciais parecidas. A curto prazo, fala-se apenas em reorganizar a agenda turística para evitar picos de ocupação. “Não vejo sinal para alarme, pois temos 10.000 apartamentos a mais que Johannesburgo, na África do Sul, a última cidade a sediar um jogo de abertura da Copa”, diz Omori, presidente da Abih-SP. “Mas precisamos de maior planejamento, para não frustrar os visitantes.”

 

 

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês