Avatar do usuário logado
Usuário

Thassanee Wanick contra o aquecimento global

Consulesa da Tailândia faz campanha para pintar tetos de casas com cores claras e, com isso, combater o aquecimento global

Por Alvaro Leme 18 set 2009, 20h27 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h32
Thassanee Wanick contra o aquecimento global Priorizar nos meus resultados Google

Simples, barato e fácil. Se você ouvir a sorridente senhora acima mencionar esses adjetivos, pode se preparar: durante a próxima meia hora, ela tentará convencê-lo de que uma simples demão de tinta branca no telhado é capaz de reduzir as temperaturas em todo o mundo. Chato, hein? Não. O papo potencialmente maçante ganha outros contornos graças ao carisma de Thassanee Wanick, consulesa da Tailândia em São Paulo e ongueira, que não perde uma chance de divulgar o projeto Um Grau a Menos. “É minha grande paixão no momento”, conta. Trata-se de uma campanha da ONG Green Building Council Brasil que consiste em trocar as cores escuras de tetos e playgrounds por tons os mais claros possíveis, o que diminuiria o aquecimento global. “Um telhado branco de 100 metros quadrados compensa a emissão de gás carbônico anual de uma casa”, estima ela, com base em dados do laboratório americano Lawrence Berkeley, ligado à Universidade da Califórnia. Por refletirem a maior parte dos raios solares, tetos com cores claras diminuem a temperatura interna dos edifícios e, assim, fazem com que geladeiras e aparelhos de ar condicionado consumam menos energia. “É o mesmo princípio que faz alguém sentir mais calor com roupa preta do que vestido de branco”, explica o físico José Goldemberg, ex-ministro de Ciência e Tecnologia.

Thassanee (pronuncia-se “téssani”) nasceu numa família tradicional de Bangcoc, a capital tailandesa. Poderia ter recebido um título de duquesa se, em nome do amor, não tivesse contrariado a família: aos 21 anos, casou-se com um estrangeiro. “Meu pai passou oito anos sem falar comigo”, lembra. Foi por causa do marido, o carioca Eduardo Wanick, hoje presidente da multinacional DuPont, que descobriu o Brasil. O casal se conheceu em Londres, onde ela estudou ciências aplicadas antes de encarar dois mestrados nos Estados Unidos. Quando chegou a São Paulo, em 1980, não sabia uma palavra de português, que aprendeu assistindo a desenhos na televisão. Apesar de ter pouco sotaque, às vezes confunde o gênero de algumas palavras e “tloca letlas”, por isso comunica-se bastante em inglês (também fala espanhol e francês). Na década de 90, recebeu do rei Bhumibol Adulyadej o título de consulesa, que não perderá nem mesmo quando tirar do papel o plano de virar cidadã brasileira. Ela e o marido moram num condomínio de luxo nos arredores de São Paulo – a única filha, hoje com 25 anos, vive na Inglaterra. Reciclam lixo e usam produtos ecologicamente corretos, mas não se trata de um imóvel 100% sustentável, apesar de o telhado ter sido o primeiro a ser pintado de branco pela ONG. “A casa que vamos construir em Ilhabela será”, planeja. A cidade do Litoral Norte, aliás, é o reduto para onde migram nos fins de semana. Lá, praticam pesca esportiva, que consiste em devolver o peixe à água após a fisgada.

Ao contrário de muitos ambientalistas, não é vegetariana – mas parou de comer vitela ao saber que se trata da carne de novilho. No campo das excentricidades está a “filha” adotiva, Lychia, uma elefanta de pouco mais de 1 ano de idade que vive na Tailândia. “Quando era bebê, ela comia até 250 quilos de comida por dia”, conta Thassanee, que enviou dinheiro para as primeiras refeições e descolou um lar para o bicho num hotel, onde “trabalha” fazendo gracinhas diante de turistas. Entre as poucas peculiaridades típicas da turma ecologicamente correta está a mochila descolada com que circula. Comprada nos Estados Unidos, tem uma bateria que se recarrega com a luz do sol e serve para alimentar celulares, tocadores de MP3 e laptops. A peça, esportiva, não destoa dos terninhos bem cortados confeccionados em seu país natal. Pelo contrário, faz o maior sucesso.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês