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Tradicional cinema da Rua Augusta, Espaço Itaú reabre após reforma

Antigo Espaço Unibanco tem muita história para contar nos seus quase 20 anos

Por Bruno Machado
5 set 2012, 20h53 • Atualizado em 4 set 2025, 14h30
  • A fusão do Banco Itaú com o Unibanco, em 2008, fez os cinemas dos shoppings Frei Caneca e Bourbon trocarem de nome, passarem por reforma e ganharem poltronas numeradas. No mês passado, a mudança chegou ao Espaço Unibanco, no número 1475 da Rua Augusta, um dos endereços mais queridos e tradicionais da cidade. Fechado há cerca de três semanas, o agora Espaço Itaú de Cinema reabre para o público nesta quinta (6) e inicia as comemorações de seus 20 anos com uma mostra de importantes filmes brasileiros.

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    Construído na década de 40, o imóvel abrigou o Cine Majestic a partir de 1947. Segundo Máximo Barro, pesquisador e professor de audiovisual da FAAP, foi um dos principais catalisadores da revitalização da região durante os anos 60. “Com os chamados ‘filmes de arte’, o público mudou, e isso provocou um impacto cultural positivo na Augusta e nos arredores”, explica. Na mesma década, o complexo foi reformado para abrigar um Cinerama – espécie de grande tela côncava para exibições especiais com até três projetores. Na década seguinte, chegou a ser fechado pelo Instituto Nacional do Cinema com a alegação de que não exibia filmes nacionais.

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    Já nos anos 90, quando o sociólogo Adhemar Oliveira encontrou o prédio, tanto o imóvel quanto a rua estavam em decadência. “Em vias de se tornar um cinema pornô”, lembra o programador Humberto Neiva. Munido de um patrocínio do Banco Nacional (incorporado depois pelo Unibanco) e da experiência de cineclubista, gastou uma fortuna – R$ 1,5 milhão em valores corrigidos – para reformar o espaço. Também investiu em uma programação diferente da oferecida pelo circuito comercial, com filmes antigos, raros e de diretores desconhecidos. Estava pronta a receita do sucesso: alguns meses depois da abertura, no fim de 1993, já tinha uma clientela formada e assídua. Mais uma vez o cinema contribuía para a restauração da vida cultural na região.

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    Quase duas décadas depois, Oliveira – que se mantém como sócio e curador – lembra de momentos importantes no espaço, como um debate entre o fotógrafo Sebastião Salgado, o cantor e compositor Chico Buarque e o escritor José Saramago em 1997 e, no ano seguinte, o lançamento de “Central do Brasil” com a presença de Fernanda Montenegro, que deixou a sessão aplaudida pelo público. Também sediou mostras então iniciantes e hoje tradicionais: Festival de Curtas, Mix Brasil, Anima Mundi e Mostra Internacional de Cinema. “Isso construiu uma identidade para o local e lhe deu a missão de erguer a produção brasileira e a independente”, afirma.

    Diante do recente fechamento de cinemas de rua como o Belas Artes, o Gemini e o Windsor, Oliveira comemora a longevidade do Espaço e credita o sucesso ao público: “As pessoas amam aquele lugar. Tentamos atender a todas as tribos. Temos o cinema na rua, mas também precisamos da rua no cinema. Conseguimos isso nesses 20 anos, e espero que pelos próximos 20 também”.

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