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“Acredito no poder regenerador do cinema”, disse Cakoff, em texto

Publicado em jornal paulista, em maio, artigo do idealizador da Mostra de Cinema fala sobre a luta contra o câncer

Por Redação VEJINHA.COM 14 out 2011, 17h54 | Atualizado em 5 dez 2016, 17h43
“Acredito no poder regenerador do cinema”, disse Cakoff, em texto Priorizar nos meus resultados Google

Leon Cakoff, que morreu de câncer nesta sexta (14), escreveu um belo texto sobre sua luta contra a doença. Foi publicado em maio pelo jornal “Folha de S. Paulo”, no caderno “ilustríssima.”

A seguir, uma seleção das frases mais fortes do artigo “Na Beira do Abismo”:

“Fui convidado a escrever estas memórias recentes, o que me deu um novo alento, uma sobrevida (palavra que odeio), desde a descoberta de dois tumores no cérebro na virada do ano.”

“O alerta principal do meu estado pré-colapso veio da profissão de repórter: percebi que não conseguia mais digitar direito. Como assim, um jornalista se confundindo com o teclado e as palavras? Tem coisa aí… Na solidão do pensamento, as mãos me traíam no teclado. Digitava errado e não percebia onde estava o erro.”

“O que eu murmurava choroso na véspera (da operação para retirar um dos tumores) era que não queria perder a memória, meu único capital.”

“Perdi a noção do tempo com o coquetel de remédios. Ainda na UTI, o sogro, com a máscara que os médicos usam para não demonstrar seus reais sentimentos, pede para erguer a perna esquerda, e eu ergo; pede para subir o braço esquerdo, eu subo. Pede para sorrir, sorrio… Repito tudo e ele se espanta. Com a mesma máscara, ele sentencia: “Milagre de Natal existe!”. Vou também acreditar em milagre de Natal…”

“Na saída da cirurgia de quatro horas, ligeiramente consciente, vejo Renata de Almeida, minha mulher, que diz, comovida: “Leon, você sempre está na beira do abismo e se salva, não é?”. É verdade, tantos anos de Mostra, 34, na corda bamba, e não caí… Sou forte, dizem. Tenho bom tônus muscular. Não fazia ideia. Pode ser de tanto levar porrada e levantar.”

“Culpado? Posso ser o único, certamente, se for ficar com o diagnóstico do que leva a ter melanoma maligno: o sol e seus excessos. Ou as alfaces que comi em Praga por uma semana, sem saber de Tchernobil. Os agrotóxicos, o celular?”

“Organizei meu pós-operatório até com euforia e prazer. Juntei os livros que há tempos queria ler e os DVDs para finalmente ver ou rever. Convivi mais com os filhos (Pedro, Laura, Jonas e Tiago). Tinha a premonição de que um dia conseguiria ficar mais com eles. Muito triste a memória que deixamos para trás por falta de tempo.”

“Penso agora em dar um bom rumo à memória da Mostra e a todo o seu acervo precioso. Vamos chegar em 2011 à 35ª Mostra, número a ser celebrado. Minha luta continua. Agora, a surpresa de novas metástases viajando pelo corpo.”

“Acredito no poder regenerador do cinema.”

+ Íntegra do texto de Leon Cakoff publicado pela “Folha de S. Paulo”

+ Leia mais sobre a morte de Leon Cakoff

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+ Leia mais sobre a Mostra Internacional de Cinema

+ Saiba como comprar ingressos para a Mostra

 

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