Apesar de a Justiça ter proibido a prefeitura de implantar novas ciclovias em São Paulo, a gestão Fernando Haddad (PT) pintou 457,9 metros de ruas do Jardim América entre a noite de segunda (22) e a madrugada de terça (23). Pela manhã, a obra surpreendeu moradores e motoristas da região.
Em decisão liminar publicada na sexta-feira (20), o juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital, Luiz Fernando Rodrigues Guerra, fixou multa diária de 10 000 reais, caso a proibição fosse descumprida. A Justiça, no entanto, explicou que o documento com assinatura de representante da prefeitura confirmando ter tomado ciência da notificação não havia voltado ao fórum até o momento da execução da obra. Notificada na segunda-feira, a administração só devolveu o despacho no fim da tarde de terça.
“Eu saí daqui ontem (da segunda) às 19h45 e, quando voltei hoje (terça), por volta das 8h, a rua estava pintada. Fizeram sem ninguém ver, nenhum morador foi avisado”, disse um segurança de 50 anos, que preferiu não se identificar.
Para moradores dos Jardins, a prefeitura cometeu “abuso de autoridade e desrespeito à Justiça”, como argumentou a médica Célia Finari, 49, moradora da rua Honduras. “O Haddad passou por cima da lei. Ele deveria pagar isso do próprio bolso”, afirmou. Célia disse que as ciclovias atrapalham o trânsito do bairro. Para ela, a região é apenas residencial. “A rua é pública, mas é minha também”, afirmou. Além da via onde mora Célia, a prefeitura pintou as ruas México, Guatemala e Colômbia e a praça das Guianas.
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1/33 Obra na Avenida Paulista no trecho perto da Avenida Brigadeiro Luis Antonio (Reprodução)
2/33 Obra da ciclovia na Avenida Paulista perto da Rua Padre João Manoel (Reprodução)
3/33 Obras da ciclovia na calçada da Avenida Bernardino de Campos, na pista sentido Paraíso, perto da Rua Treze de Maio (Reprodução)
4/33 Trecho da Avenida Paulista perto da Rua Carlos Sampaio (Reprodução)
5/33 Trecho final da ciclofaixa da Rua dos Pinheiros, perto da Avenida Brigadeiro Faria Lima (Reprodução)
6/33 Ciclofaixa na Rua dos Pinheiros interrompida por causa do ponto de ônibus (Reprodução)
7/33 Ciclofaixa na Rua Artur de Azevedo, na esquina com a Avenida Pedroso de Moraes, com remendos que provocam desníveis na pista (Reprodução)
8/33 Ciclofaixa da Rua Artur de Azevedo, na travessia da Avenida Pedroso de Moraes, com trincas e buracos na sarjeta (Reprodução)
9/33 Pista da ciclofaixa na Rua Artur de Azevedo, perto da Rua Mourato Coelho (Reprodução)
10/33 Ciclofaixa da Rua Artur de Azevedo com superfície irregular (Reprodução)
11/33 Detalhe da rampa com ferragem exposta da ciclofaixa da Rua Artur de Azevedo (Reprodução)
12/33 Trecho da ciclofaixa da Rua Artur de Azevedo em condições precárias (Reprodução)
13/33 Ciclofaixa na Avenida Antônio Estevão de Carvalho com superfície irregular e obstruída pela raiz de árvore (Reprodução)
14/33 Trecho da ciclofaixa da Avenida Antônio Estevão de Carvalho, perto da estação Patriarca do Metrô, com superfície irregular (Reprodução)
15/33 Trecho da ciclofaixa da Rua Ascenso Fernandes, perto da Avenida Oliveira Freire (Reprodução)
16/33 Ciclovia da Avenida Oliveira Freire, perto da Rua Ascenso Fernandes, obstruída por poste e sem espaço para circulação de pedestres (Reprodução)
17/33 Detalhe do traçado da ciclovia da Avenida Oliveira Freire, perto da Avenida Dr. José Artur Nova (Reprodução)
18/33 Ciclofaixa da Avenida Torres de Oliveira (Reprodução)
19/33 Ciclofaixa da Avenida Escola Politécnica, na Praça César Washington Alves de Proença (Reprodução)
20/33 Detalhe do buraco da ciclofaixa da Avenida Escola Politécnica (Reprodução)
21/33 Ao lado do ponto de ônibus, ciclofaixa da Avenida Escola Politécnica, com pintura apagada e poça (Reprodução)
22/33 Ciclofaixa da Avenida Escola Politécnica, perto da Rodovia Raposo Tavares, com traçado irregular (Reprodução)
23/33 Trecho da ciclofaixa da Rua Fernandes Moreira, perto da Rua José Vicente Carvalho (Reprodução)
24/33 Trecho da ciclofaixa da Rua Fernandes Moreira, perto da Rua Bento Barbosa (Reprodução)
25/33 Ciclofaixa com pintura desgastada na Rua Alexandre Dunas, entre a Avenida Santo Amaro e a Rua Francisco de Morais (Reprodução)
26/33 Quebradeira na Paulista: segundo a CET, trata-se de uma obra de sinalização com ajustes viários (J. Duran Machfee)
27/33 Ciclovia Rio Pinheiros: mais de 20 quilômetros de via (Mario Rodrigues/Veja SP)
28/33 Ciclovia Faria Lima: projeto completo vai custar 54 milhões de reais (Fernando Moraes)
29/33 Haddad e suas pedaladas para os fotógrafos: as faixas exclusivas viraram uma das bandeiras de sua administração (Gero/Folhapress)
30/33 Haddad e suas pedaladas para os fotógrafos: as faixas exclusivas viraram uma das bandeiras de sua administração (Fernando Nascimento/Folhapress)
31/33 Haddad e suas pedaladas para os fotógrafos: as faixas exclusivas viraram uma das bandeiras de sua administração (Moacyr Lopes Junior/Folhapress)
32/33 Avenida Afonso de Sampaio e Sousa, em Itaquera: degrau inusitado (Felipe Neves)
33/33 Rua Armando Penteado com Praça Vilaboim: traçado revisto depois de polêmica com moradores e comerciantes de Higienópolis (Felipe Rau/Estadão Conteúdo)
Quem trabalha na região também se queixou. Ontem, a recepcionista Evelyn Meneguetti, 26, precisou estacionar seu carro a cerca de 200 metros de onde costuma deixar. “Fiquei com medo de tomar multa e estou com outras dúvidas. Não entendo essa história de a Justiça proibir e, mesmo assim, a prefeitura continuar pintando”, afirmou.
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“Trabalho aqui há oito anos e quase nunca vejo ninguém passar de bicicleta. Tem muito motorista que vai ficar com medo de ter que estacionar o carro mais longe”, disse o manobrista Fernando Eduardo, 26. Tanto ele quanto Evelyn trabalham em um salão de beleza em uma das ruas que receberam a pintura.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que “o trabalho de implementação da ciclovia na rua Honduras vinha sendo realizado até segunda-feira”, quando o órgão tomou conhecimento oficial da decisão da Justiça e “suspendeu os trabalhos”. A medida se aplica às demais ciclovias. A CET foi citada pela Justiça e agora tem de apresentar a defesa dos projetos em 60 dias.
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Ainda de acordo com a CET, a decisão não inclui as ciclovias já existentes, “que podem passar por manutenção”. A companhia explicou que as faixas da região começaram a ser implementadas no mês passado.
Guerra atendeu parcialmente ao pedido feito pela promotora de Justiça de Habitação e Urbanismo Camila Mansour Magalhães da Silveira de suspender a construção de todas as ciclovias da cidade. A única ciclovia liberada para a construção é a da Avenida Paulista. Para que a prefeitura seja multada, o Ministério Público Estadual deve indicar os locais onde houve descumprimento da decisão.
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