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Pacientes da Unimed Paulistana sofrem com a falta de atendimento

Agência Nacional de Saúde Suplementar determinou nessa quarta (2) a transferência dos 744 000 beneficiários para outros planos de saúde

Por Estadão Conteúdo
3 set 2015, 17h00 • Atualizado em 5 dez 2016, 12h06
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Unimed (Eduardo Knapp/Folhapres/)
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  • Cancelamento de consultas, demora para marcar exames e descredenciamento de médicos são os problemas que os clientes da Unimed Paulistana enfrentam desde o último mês e que se intensificaram nesta semana. Na quarta (2), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que a operadora transfira seus 744 000 beneficiários para outros planos de saúde em até trinta dias.

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    No entanto, a Unimed Paulistana precisa garantir a assistência a todos os beneficiários até a completa transição para outra empresa de saúde. Não é o que a servidora pública Bruna Moliga Souza Silva, 28 anos, tem constatado. Desde o início da semana ela tenta marcar um exame, mas os laboratórios, que costumava usar, dizem que foram descredenciados ou que não têm nenhuma data próxima. “Só hoje (quinta-feira, 3) consegui marcar o exame para novembro.”

    Bruna contou ainda que recebeu ligação de médicos desmarcando consultas que tinha para a próxima semana. “O pior é que nos tratam de forma grosseira, como se nós estivéssemos devendo e não a Unimed. A corda estoura sempre para o lado mais fraco e dessa vez os prejudicados foram os pacientes.”

    A supervisora de administração Valéria de Araújo, 43 anos, também está preocupada com o descredenciamento dos médicos que atendiam sua família. O marido de Valéria, de 48 anos, fez uma cirurgia no esôfago a cerca de um mês e o médico que acompanhava seu tratamento foi descredenciado. “Estamos muito inseguros porque não sabemos a quem recorrer, não nos comunicaram dessas mudanças. Só ficamos sabendo pela imprensa e agora não sabemos como agir em caso de emergência.” 

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    De acordo com a assessoria da agência, os pacientes que se sentirem prejudicados com o descredenciamento de médicos e a negativa de atendimentos devem formalizar as reclamações com a ANS para que possam ser apuradas. Caso as denúncias sejam confirmadas, a Unimed pode ficar sujeita ao pagamento de multas. No caso de negativa de atendimento médico, por exemplo, a multa pode variar de 80 000 a 100 000 reais.

    Sobre as reclamações dos pacientes, a Unimed Paulistana informou que continua trabalhando “dentro das determinações da ANS, preservando a assistência aos clientes, o que também é responsabilidade da rede credenciada (hospitais, clínicas e laboratórios).”

    Problemas financeiros

    De acordo com a ANS, a determinação teve como motivação problemas econômico-financeiros, além de “anormalidades assistenciais e administrativas graves”. A agência afirmou que desde 2009 acompanha a situação da operadora por meio de monitoramento feito por agentes nomeados pela agência. 

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    Se a transferência não ocorrer dentro do prazo estabelecido, a agência realizará uma oferta pública para que empresas apresentem propostas de contrato para os clientes da Unimed Paulistana. “A (operadora) interessada deverá possuir situação econômico-financeira adequada e manter as condições dos contratos sem prejuízos aos consumidores.”

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    Em nota, a Unimed Paulistana informou que “já está comunicando clientes, corretoras e cooperativas sobre a decisão da ANS e o atendimento à carteira em vigor continua normalizado”. 

    A operadora disse que, nos próximos trinta dias, a comercialização de novos planos ou produtos está suspensa, conforme prevê a resolução. Informou ainda que a nova administração, que assumiu em abril, constatou “anormalidades econômicas e financeiras” e avalia atuar como prestadora de serviços de saúde, “o que fará por meio de seus recursos próprios e de sua rede de cooperados”.

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