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Com medo de arrastões, rolê no Shopping Aricanduva é cancelado

Organizador do evento que tinha 9 000 pessoas confirmadas, jovem de 14 anos não esperava tanta repercussão no Facebook; ele deixou a mãe preocupada e a polícia atenta

Por Juliana Deodoro 13 dez 2013, 15h29 | Atualizado em 5 set 2025, 17h26
aricanduva lotadao
aricanduva lotadao (Reprodução/)
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Na última semana, a vida de Felipe, de 14 anos, mudou. Um evento que ele organizou no Facebook apenas para “se divertir, conhecer novos amigos, tirar umas fotos e dar uns beijos”, como descrito na apresentação na página, ficou no centro das atenções depois que seis mil pessoas ocuparam o Shopping Metrô Itaquera no último sábado (7) e assustaram frequentadores e lojistas. Descoberto por aqueles que não eram exatamente seu público alvo, o rolê “Shopping Aricanduva Looootadão” tinha na quinta-feira (12) mais de 9 000 pessoas confirmadas e 65 000 convidadas. O tema se proliferou pelas redes sociais, chamou a atenção da Polícia Civil e também contou com a apreensão da mãe do jovem. Resultado: preocupado com os avisos de que arrastões poderiam acontecer, Felipe cancelou o evento.

“Era só um encontro com o pessoal do Face. Fiz de brincadeira, mas foi alastrando. Foi o primeiro que organizei e era para ser diferente do de Itaquera”, conta. Desde segunda (9), Felipe passou os dias postando mensagens que desestimulavam a violência, pedindo que os convidados não fizessem “arrasta” e tentando promover uma espécie de censo. “De qual quebrada você é?”, “O que vai vestir?” e “Quem está solteiro?” eram perguntas frequentes. Garotas e garotos com não mais que 15 anos postavam suas fotos e pediam curtidas e comentários. E, com a popularidade, muitos perfis falsos também apareceram, xingando ou ironizando os adolescentes.

 

“O que fizeram no Itaquera foi errado. Foi deselegante. Fazer um baile funk no shopping? O meu vai ser na disciplina, não vai ter esse tipo de coisa”, disse na quarta (11). Avisado, no entanto, que seus esforços foram em vão, o garoto cancelou o rolê no shopping e remarcou no Parque do Carmo, também na Zona Leste, para janeiro. Uma outra página surgiu pouco tempo depois, com outros organizadores, e já havia conquistado mais 600 convidados na sexta.

Quem mais ficou preocupada com a repercussão foi a mãe do garoto. Auxiliar no Hospital das Clínicas, Patrícia Viana não foi trabalhar na quarta para ficar com o filho em casa e tentar descobrir o que estava acontecendo. “Ele fica o dia inteiro no Facebook e me disse que isso é para conhecer as pessoas do outro lado do mundo virtual. Agora que estou vendo o tamanho do problema.” Segundo ela, os filhos são controlados 24 horas por dia. “Não deixo eles irem em baile funk, ainda mais quando é na rua. Passear no shopping, que é mais seguro, eu permito”, conta.

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De acordo com a descrição do jovem, os “rolês” não são muito diferentes do que milhares de adolescentes fazem todos os dias em todo o planeta. “Vou para encontrar com meus amigos, tomar um sorvete, conhecer umas meninas.” O que chama atenção, no entanto, é como a organização pela internet transforma os encontros em uma festa, que toma ares de baile com o funk sendo tocado por celulares e cantado pelos grupos.

Segurança

Segundo o delegado titular do 65º Distrito Policial de Artur Alvim, Luiz Antônio da Cruz, o ideal é que organizadores procurem a segurança do shopping e a polícia para avisá-los sobre um possível evento. Os estabelecimentos também são orientados a enviar um ofício à Polícia Militar alertando sobre a possibilidade de uma concentração grande de pessoas.  “As autoridades têm de ser avisadas. Democracia não é libertinagem, é você respeitar o quintal do vizinho.”

A Polícia Militar afirmou que está atenta a possíveis problemas em shoppings, mas repassou a responsabilidade da prevenção para o centro comercial, deixando claro que só entrará em ação se algo acontecer. “Como tratam de ambientes cuja competência pela segurança é privada, a atuação será mediante eventual quebra da ordem e acionamento”, disse em nota.

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Sobre o incidente do último sábado, o delegado nega que tenha acontecido um arrastão no Shopping Metrô Itaquera. “Só teve um flagrante de um rapaz que furtou um boné e uma bermuda. Eles marcaram, muita gente apareceu e começaram a desrespeitar.” Um inquérito por perturbação do sossego e do trabalho foi aberto. O delegado também já pediu imagens de câmeras de segurança e vai ouvir seguranças do shopping.

O Shopping Aricanduva não quis comentar o caso e, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que vai reforçar a segurança.

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