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Obras em dois grandes estádios passam por dificuldades

Enquanto a obra da Arena Palestra sofre forte abalo com a morte de um operário, a do Itaquerão permanece em um impasse financeiro

Por Mariana Barros e Marcus Oliveira 19 abr 2013, 16h20 • Atualizado em 5 dez 2016, 16h07
estadios
estadios (Rivaldo Gomes/FolhapRess/)
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  • Na manhã da última segunda (15), o operário Carlos de Jesus, de 34 anos, fazia o nivelamento do piso de um dos camarotes da Arena Palestra, o novo complexo do Palmeiras, que está sendo construído pela WTorre, em Perdizes, na Zona Oeste. O primo Cosme Vieira Dias, 39, e seu cunhado Crispiniano Santos, 22, ajudavam na tarefa. Os três estavam ali a serviço da TLMix, empresa terceirizada responsável por um dos trechos da obra. Encontravam-se sobre uma laje quando, de repente, as vigas de sustentação cederam. O operário Jesus despencou junto com a placa e morreu na hora, esmagado por cerca de 4 toneladas de materiais. Seus colegas tiveram mais sorte: Santos foi encaminhado para a Santa Casa de Misericórdia com ferimentos leves, enquanto Dias escapou ileso, pois momentos antes tinha deixado o local para buscar um cabo de aço.

    A razão do acidente ainda está sendo investigada por peritos da Polícia Técnica. Até a última quinta (18) a obra permanecia paralisada, aguardando análises. Antes desse desabamento, ela já havia chamado a atenção do Ministério Público do Trabalho. “Em todas as vistorias encontramos problemas de segurança”, afirma a procuradora Natasha Rebello Cabral. No dia seguinte ao acidente, ela integrou a comitiva que fez nova inspeção, com auditores do Ministério do Trabalho. “Havia mais três infrações de normas de saúde e segurança”, diz a auditora Viviane Forte.

    No fim de março, a WTorre havia sido intimada a comprovar que solucionaria em trinta dias algumas falhas encontradas na segurança da obra, como falta de escada para os operários das escavações e telas de proteção rasgadas. Agora, com a morte de um trabalhador e o ferimento de outro, a empresa deverá ser multada em cerca de 2 milhões de reais e está impedida de recomeçar os trabalhos. Antes da tragédia, a entrega do estádio estava prevista para dezembro.

    Orçado em 350 milhões de reais, o empreendimento tem um histórico complicado desde o início. Em julho de 2011, o Ministério Público entrou com uma ação civil pública questionando a inadequação do alvará para o tipo de obra que está sendo ali executado. A licença municipal foi concedida para um projeto de reforma. Segundo o MP, a construtora teria extrapolado o plano original, erguendo instala-ções que não estavam previstas. O caso segue em discussão.

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    Outra importante arena em obras na capital enfrenta problemas diferentes. O Itaquerão, estádio que está sendo erguido pelo Corinthians na Zona Leste e que foi designado para a abertura da Copa do Mundo de 2014, depende de aval para a concessão de um empréstimo de 400 milhões de reais do BNDES. Sem o dinheiro, há o risco de que ele não fique pronto no prazo previsto. O Banco do Brasil, que vinha sendo cogitado para intermediar a negociação, deve sair de cena por causa de entraves burocráticos. A Caixa Econômica Federal é a mais cotada para assumir esse ônus.

    O empréstimo representará quase metade dos 820 milhões de reais que a obra deve custar. Os outros 420 milhões de reais virão da prefeitura, na forma de incentivos fiscais. No início deste mês, foi liberada a primeira parcela, de 156 milhões de reais. O prefeito Fernando Haddad (PT) se comprometeu ainda a manter o regime de comodato do terreno, avaliado em 100 milhões de reais. Adicionalmente, 257 milhões de reais serão gastos em obras no entorno.

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    De acordo com a Odebrecht, construtora responsável pelo estádio, 70% dos trabalhos estão finalizados e ele estará pronto em dezembro. O cronograma, no entanto, poderá mudar caso o atual imbró-glio financeiro não seja resolvido nas pró-ximas semanas. Com capacidade para 68 000 pessoas na Copa e 48 000 torcedores após a competição, será a casa daquela que é a maior torcida não apenas do estado, mas também de toda a Região Sudeste do país. Segundo uma pesquisa da consultoria esportiva Pluri Stochos divulgada na semana passada, a massa alvinegra representa 20,3% dos fãs de futebol em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, superando a do Flamengo, que ficou com 15,6% dos entrevistados.

    ■ E o Pacaembu?

    A prefeitura estuda fazer uma reforma de 350 milhões de reais no estádio

    A inauguração das novas arenas da cidade tem levado a prefeitura a analisar futuros usos para o Pacaembu, já que seu principal inquilino, o Corinthians, vai utilizar a partir de dezembro o próprio campo, em Itaquera. Um projeto que será discutido nos próximos dias por Celso Jatene, secretário municipal de Esportes, e pelo prefeito Fernando Haddad prevê um investimento de 350 milhões de reais em reformas para que o estádio municipal passe a abrigar outros grandes eventos esportivos. A verba viria dos cofres públicos e de possíveis parcerias privadas. O projeto prevê a construção de estacionamento e obras no entorno, entre diversas melhorias. A realização de shows, entretanto, segue descartada, em cumprimento a um acordo com os moradores do bairro.

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