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Utilização do Waze e crise financeira diminuem congestionamentos na capital

Estudo da CET aponta queda da frota diária na capital; velocidade média aumenta

Por Estadão Conteúdo 6 dez 2016, 10h08
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transito-23-maio-congestionamento (Levi Bianco/Folhapress/)
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O mais antigo estudo da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo sobre trânsito, o relatório “Volumes e Velocidades”, publicado desde 1977 com índices de congestionamento e velocidades médias nos principais corredores viários, mostra que em 2015 houve redução da participação dos automóveis na composição do tráfego da cidade. A redução, de 1,3 ponto porcentual (de 80,2% para 78,9%) é a primeira queda em cinco anos.

Por outro lado, as velocidades médias tiveram aumento nos dois horários de pico.

Para especialistas – além da crise econômica, que fez cair o número de empregos e a circulação de mercadorias -, a explicação mais plausível é o chamado “efeito Waze”: o uso de aplicativos de navegação, como o Waze e o Google Maps, que permitiriam aos motoristas saírem das vias mais saturadas e buscar rotas paralelas na capital, com trânsito mais livre.

Esse efeito passa a ser considerado por que a pesquisa é restrita a 28 “rotas”, como a CET chama conjuntos de corredores viários. Essas rotas são formadas por 101 ruas e avenidas (por exemplo: é uma única rota o corredor formado pela Rua da Consolação, a Avenida Rebouças e a Avenida Eusébio Matoso) que abrangem os principais corredores viários da cidade.

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Ela é restrita porque os dados são coletados in loco: cerca de 50 agentes monitoram as vias ao longo do ano – percorrendo os locais de carro para cronometrar os tempos de viagem.

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Alternativas

Como as vias alternativas ficam fora da conta, a hipótese dos especialistas é de que parte dos carros fugiria das vias principais para esses caminhos, fora do estudo, orientadas pelos aplicativos – só o Waze tem 3 milhões de usuários ativos na Grande São Paulo, conforme dados da empresa publicados em setembro.

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“Estamos falando de redução de fluxo não em um sistema normal, mas em um sistema que estava ultrassaturado”, diz o consultor de mobilidade Sergio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP). “Em um sistema assim, tem quem circule pelo corredor, o ‘caminho da roça’, e tem quem não aguente e procure caminhos alternativos. Essas vias geralmente dão mais volta, mas economizam algum tempo. Não dão aquela sensação terrível de trânsito parado”, afirma o especialista. “Os caminhos alternativos em um sistema como o nosso têm uma contribuição importante (para o trânsito como um todo) e programas como o Waze apresentam efeito significativo.”

Crise

Ejzenberg, no entanto, aponta essa possibilidade como apenas uma das explicações para a redução do total de carros. A outra é a crise. “A mobilidade é uma consequência direta da atividade econômica. Estamos vivendo uma crise brutal.”

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É o mesmo raciocínio de Claudio Barbieri da Cunha, professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade de São Paulo (USP). “O principal fator é a crise.” Barbieri também concorda com a explicação do “efeito Waze”, ressalvando que “faltam dados para que se possa afirmar isso”.

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Já para os engenheiros da CET, o “efeito Waze” está, sim, acontecendo e pode ser provado – mas a economia ruim não teria relação nenhuma com isso. “Os dados de pedágios nas estradas não mostram queda na circulação de carros”, rebateu Tadeu Duarte, diretor de Operações da CET.

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Ele diz que o trânsito na capital não é só pensado nos grandes corredores, “mas em regiões”.

Nesse contexto, a busca por rotas alternativas seria facilitada por apps. “Aquelas pessoas que já estão em seus caminhos alojadas vão continuar seguindo esses caminhos. Aquelas que percebem que a rota está problemática, elas vão usar o Waze para seguir fora dele”, diz. “Não estamos desencorajando isso e achamos que a mudança pode estar acontecendo de forma tranquila”, diz.

Dados

No total, 78,9% dos veículos em circulação nas rotas pesquisadas são carros e 16,3% são motos. Os ônibus, públicos e fretados, somam 2,7%. Os caminhões são 1,6%; e as bicicletas, 0,5% dos veículos.

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A velocidade média aumentou de 20,7 quilômetros por hora para 22,1 quilômetros por hora no sentido bairro-centro no horário da manhã. No pico da tarde, passou de 16 para 17,9 quilômetros por hora no sentido centro-bairro. Os aumentos ocorreram já na vigência das políticas de redução de limites de velocidades.

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