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Biblioteca Mário de Andrade anuncia funcionamento 24 horas

Local também prepara programação cultural diversificada, que inclui mostra sobre o cineasta italiano Pasolini, de olho no público jovem

Por Luan Flavio Freires 26 set 2015, 00h00 • Atualizado em 1 jun 2017, 16h35
Biblioteca Mario de Andrade
Biblioteca Mário de Andrade (Fernando Moraes/Veja SP)
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  • Com noventa anos completados em janeiro, a Biblioteca Mário de Andrade, a maior da capital, dá sinais de que atravessa um processo de rejuvenescimento. Cerca de 90% dos atuais 1 200 visitantes diários têm menos de 33 anos, índice bem superior ao de épocas anteriores. A nova frequência vem ajudando o espaço a bater recordes de público a cada ano.

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    Estima-se que o total em 2015 chegue a 440 000 pessoas, 20% de crescimento em relação a 2014 e 250% em comparação com 2013. É uma turma que procura tranquilidade para estudar ou apenas usar o wi-fi gratuito do ambiente, disponível desde agosto do ano passado. Para aumentar ainda mais sua penetração nessa faixa etária e de olho na proximidade de points badalados, como o Paribar, na Praça Dom José Gaspar, a balada Alberta#3, na Avenida São Luís, ou mesmo a Praça Roosevelt e o Baixo Augusta, a instituição está prestes aimplantar várias mudanças.

    A principal delas é a adoção, a partir de outubro, do regime de portas abertas em tempo integral todos os dias, por 24 horas (hoje o local fecha às 20h30 durante a semana, às 17 horas aos sábados e não funciona aos domingos nem feriados). O sistema exigirá a contratação de quinze funcionários para atendimento e segurança. “Essa região possui vida cultural efervescente. Queremos fazer parte disso”, justifica o diretor Luiz Armando Bagolin.

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    Outra novidade é a criação de uma programação mais diversificada. O primeiro teste do novo formato é a série de eventos Demasiado Pasolini, idealizada para relembrar o legado do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975). Na estreia, no dia 9, um “sarau erótico” será realizado no terraço a partir das 22 horas: integrantes do grupo teatral Sensus vão sussurrar trechos picantes da obra do diretor no ouvido do público.

    Na sequência, uma festa animará o local até as 4 horas. Ainda estão previstos uma exposição e “noitões” para a exibição de filmes do criador de Saló ou 120 Dias de Sodoma aolongo do mês. As ações futuras incluem uma sala direcionada ao público infantil, prevista para 2016. Encontra-se também em andamento o projeto de um restaurante, que se transformaria em bar durante a madrugada. Em paralelo a essas iniciativas, a administração vem investindo no tratamento destinado ao acervo, com a digitalização de periódicos e a automação dos empréstimos.

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    Luiz Armando Bagolin
    Luiz Armando Bagolin ()

    Os responsáveis pela coleção comemoram o retorno recente de uma das pérolas da biblioteca. Furtado possivelmente em 2006 e mais tarde apreendido pela Polícia Federal argentina, o lendário livro Jazz, do artista francês Henri Matisse, aguardava desde 2011 para voltar à sua casa inicial. Após anos de espera e negociações, isso finalmente ocorreu no último dia 18. “Tive de ir buscá-lo no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde a obra ficou guardada nestes anos”, diz Bagolin.

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    Instalada em um prédio com arquitetura art déco na Rua da Consolação e com um acervo de 365 000 livros e 52 000 itens raros (veja exemplos ao lado), a Mário de Andrade é um tesouro paulistano. Sua origem é a Biblioteca Municipal, criada em 1925 e fundida à Estadual em 1937. Cinco anos mais tarde, mudou-se da Rua 7 de Abril para o endereço atual, um prédio de 23 andares projetado pelo francês Jacques Pilon. A partir de 1960, adotou o nome do autor de Pauliceia Desvairada.  Uma reforma ao custo de 16,3 milhões de reais tomou o lugar entre 2007 e 2010. Após ser reinaugurada, a instituição deixou para trás a pecha de ambiente decadente, relegado às traças e ao mofo, para cair novamente nas graças dos paulistanos.

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