Avatar do usuário logado
Usuário

Adoniran Barbosa é homenageado em biografia ilustrada

Livro contém 160 imagens do compositor e da cidade de São Paulo nas décadas de 30 e 40

Por Daniel Salles 9 dez 2010, 15h20 • Atualizado em 14 Maio 2024, 08h58
  • Poucos compositores descreveram e interpretaram São Paulo como Adoniran Barbosa (1910-1982). Suas canções, ambientadas em bairros como Bixiga, Brás e Jaçanã, e protagonizadas por tipos com sotaque ao mesmo tempo italianado e acaipirado, parecem nos transportar até o início do século passado, quando a cidade ainda estava longe de se converter na metrópole atual. Nascido em Valinhos, a 90 quilômetros da capital, e estabelecido em São Paulo aos 22 anos, João Rubinato (seu nome de batismo) se notabilizou por buscar situações cotidianas e prosaicas para criar seu repertório. “Fazer samba sobre Ipanema é fácil. Difícil é fazer sobre Itapecerica da Serra”, declarou certa vez. Não à toa, o linguajar capturado pelo sambista nas ruas era cravejado de erros gramaticais e expressões populares. “Raiva”, por exemplo, virou “reiva”. “Ernesto” deu lugar a “Arnesto”. “Escrever errado é a coisa mais difícil que existe. Se não for feito do jeito certo, vira piada, deboche”, justificou ele em outra ocasião.

    + Veja galeria de fotos de Adoniran Barbosa e da São Paulo do século passado

    A relação do autor de “Saudosa Maloca” com o ambiente que lhe serviu de inspiração emerge das páginas de “Trem das Onze — A Poética de Adoniran Barbosa” (Editora Aprazível; 204 páginas; 130 reais), que reúne mais de 160 fotografias. Muitas trazem Adoniran. Outras, a cidade em que ele viveu e criou, entre os anos 30 e 80. Uma delas flagra senhoras emperiquitadas, com cabelos meticulosamente penteados, acompanhando um jogo de futebol no Estádio do Pacaembu na década de 40. Um registro da mesma época mostra a chegada de imigrantes nordestinos por aqui em busca de trabalho. “Escolhemos imagens de personagens e situações que poderiam ter sido observadas por Adoniran enquanto vivo”, conta Nigge Loddi, uma das organizadoras da obra, cujo lançamento está prometido para a próxima quarta (15), às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Vem acompanhada de um CD com catorze clássicos do compositor, como “Tiro ao Álvaro” e “Iracema”. Inclui ainda uma breve biografia, escrita pelo jornalista Celso de Campos Jr. “A fidelidade à música e à fala do povo permitiu a Adoniran exprimir a sua cidade de modo completo e perfeito”, afirma o crítico literário Antonio Candido, na abertura do livro. Mais que isso. Com suas canções, o sambista conseguiu congelar uma São Paulo que há muito deixou de existir.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.
    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês