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Quando a poesia é grito de liberdade

Aos 84 anos, Lúcia Cortez Mendonça lança seu segundo livro de poesia, em que revisita as dores e as delícias de envelhecer

Por Vanessa Barone 8 nov 2025, 08h00 • Atualizado em 12 nov 2025, 15h21
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A autora, em sua casa, em Itaparica (BA): poesia movida pela liberdade (Filipe Oliveira Dias Correia/Divulgação)
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  • Ela classifica sua poesia como espontânea. E que só tomou gosto por colocar os sentimentos em palavras depois de passar por um processo analítico, aos 50 e poucos anos, que a fez se sentir mais livre. “A análise rompeu com coisas arcaicas e me trouxe a liberdade. Disso, saiu poesia”, relembra Lúcia Cortez Mendonça, 84, psicoterapeuta de linha psicanalítica, que no próximo dia 10 lança seu segundo livro de poesias, A Velha e o Mar (Editora Cajuína, 118 págs., R$ 60,00), na Livraria da Vila da Vila Madalena, a partir das 18h. A publicação tem ilustrações de Adriana Ferla.

    livro ‘A velha e o mar’
    (Reprodução/Reprodução)

    Na obra autobiográfica, Lúcia fala sobre amor, amizades, luto e envelhecimento. Com linguagem poética, narra acontecimentos cotidianos saídos da memória e ressignificados pelo tempo. E ele, o tempo, também é assunto, aliás, como não poderia deixar de ser. “Um instante, e zass… / Aconteceu! / Uma palavra bem dita, / Um olhar cristalino e revelador, / E com sorriso lá vou eu, / Mergulhando cheia de amor / Na Vida”, diz o trecho do poema Instante.

    Mas e o mar que está no título e remete à obra de Ernest Hemingway (O Velho e o Mar)? Ele também vira palavra fluida pelas páginas do livro — mais precisamente o mar da Bahia, terra que Lúcia conheceu ainda jovem e escolheu como destino para este momento de vida. Hoje, é na Ilha de Itaparica que a escritora vive a maior parte do tempo — entre amigos e a vizinhança que a acolheu.

    Mas, diferente do pescador Santiago, personagem de Hemingway, que temia pelo futuro, os olhos dessa narradora estão voltados para o presente. “Viver é para profissionais. Envelhecer é não deixar que nada nos sequestre da vida”, afirma Lúcia, que diz ter sempre buscado uma maneira de se expressar com máxima liberdade.

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    Muitos anos antes, quando estudava no tradicional colégio Des Oiseaux, em São Paulo, Lúcia decidiu cursar aulas de teatro, ela é irmã do ator Raul Cortez, para perder a timidez e, quem sabe, descobrir uma vocação. Mas bastou uma apresentação — que atraiu toda a família para a plateia — para ela entender que aquela não era sua praia.

    Seu barato sempre foi a palavra escrita, que virou ferramenta para manifestar afeto — por si mesma e pelos outros. E, entre esses outros, está Joaquim, a quem Lúcia dedicou seu primeiro livro, comoVida (2000). O companheiro de vida por 24 anos morreu em 2001, em decorrência de um câncer. O luto e a saudade foram transmutados em poesia. “O meu amor / Está naquela / Maré cheia / Acariciando Ávida areia. / Está no pôr do sol / Vermelho-Amarelo / Que de longe se enternece / De tanto te olhar. / Arde amores!”, diz um trecho de Meu Amor.

     

     

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