Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br

Programação do IMS para 2026 tem Ara Güler e Fernando Lemos; confira

Instituto na Avenida Paulista também exibirá fotos da Amazônia no século 19 e imagens históricas do movimento negro brasileiro

Por Laura Pereira Lima
17 dez 2025, 16h53 •
fernando-lemos-ims
Fernando Lemos, Eu, poeta, 1949-1952 (Acervo IMS/Reprodução)
Continua após publicidade
  • O Instituto Moreira Salles (IMS) divulgou a programação de exposições para 2026. O centro cultural, localizado na Avenida Paulista, é especializado em fotografia e, para o próximo ano, promete destacar figuras importantes no cenário da arte, da militância e da memória, como a sindicalista Laudelina de Campos Mello, que lutou pelos direitos das trabalhadoras domésticas, o fotojornalista turco Ara Güler, que registrou a modernização de Istambul, e o português naturalizado brasileiro Fernando Lemos.

    Confira a programação completa de 2026

     

    O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres (1843–1999)

    De 17 de março a julho

    A exposição, que acontece na Biblioteca de Fotografia do IMS, é uma parceria com o coletivo 10×10 Photobooks, organização fundada pela americana Russet Lederman e pela polonesa Olga Yatskevich para promover o engajamento com a comunidade global de fotolivros. A mostra propõe uma leitura da história do fotolivro feita por mulheres — do século XIX até o fim do XX. Com cerca de cem livros do acervo do Instituto, entre publicações clássicas e raras e obras pouco conhecidas, a exposição busca expandir o entendimento sobre o papel das mulheres na fotografia. 

    Zumví Arquivo afro fotográfico

    De 28 de março a 23 de agosto

    zumvi-ims
    Jorge do Espírito Santo, pesquisador, na primeira sede do Zumví, na Igreja da Penha. Lázaro Roberto; Salvador; 1990. (Zumví Arquivo Afro Fotográfico/Reprodução)

    Criado em 1990 por Lázaro Roberto, Aldemar Marques e Raimundo Monteiro, o acervo fotográfico Zumví surgiu do compromisso de registrar a vida negra na Bahia a partir de suas próprias vivências, em um período em que a população negra raramente era fotografada por mãos também negras. As cerca de 400 fotografias que serão expostas do IMS foram divididas em 18 temáticas, como “Movimento Negro”, “Blocos Afro”, “Afoxés”, “Feira de São Joaquim”, “Quilombo do Rio das Rãs”, “Mandela na Bahia”, “Teatro Negro”, “Movimento Hip Hop” e “Universo Reggae”, e revelam a importância do acervo para a história da fotografia e do movimento negro no Brasil. Integra também a mostra o documentário Acervo Zumví – O levante da memória (2021, dirigido por Íris de Oliveira). A curadoria é de Hélio Menezes.

    Continua após a publicidade

    Dignidade e luta: Laudelina de Campos Mello

    De 16 de maio a 18 de outubro

    Vista pela primeira vez no IMS Poços em 2025, a exposição apresenta a trajetória, o pensamento e a militância de Laudelina de Campos Mello (1904-1991), sindicalista e importante ativista na luta pelo reconhecimento e valorização do trabalho doméstico e pela conquista de direitos para a categoria, além de atuar na luta antirrracista. Reconhecida como a fundadora do primeiro sindicato das empregadas domésticas no país, Laudelina dedicou-se a combater a exploração e os abusos contra essas profissionais e atuou também para que as trabalhadoras domésticas do país gozassem de uma vida digna. Por meio de fotografias, documentos e objetos históricos, em diálogo com as artes visuais e o audiovisual, como obras de Rosana Paulino, Dayane Tropicaos e Arjan Martins, a mostra conta a história de vida de Laudelina, relacionando-a com a questão do trabalho doméstico no Brasil, assim como questões referentes ao sindicalismo, ao associativismo negro, a questões político-culturais e o direito ao descanso. A curadoria é de Raquel Barreto e Renata Sampaio, com assistência de curadoria de Phelipe Rezende.

    Reimaginar a Amazônia. A expedição fotográfica de Albert Frisch atravessada pelas vozes do rio

    De setembro de 2026 a fevereiro de 2027

    A exposição traz o álbum de fotos Résultat d´une expédition photographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro de Christoph Albert Frisch (1840-1918), que reúne as primeiras imagens fotográficas conhecidas da Amazônia e de seus habitantes originários, como centro de uma reflexão sobre o papel colonial da fotografia no século XIX. O álbum de Frisch foi uma das vertentes do projeto moderno de colonização da Amazônia e responsável pela criação de um imaginário visual sobre esse território, ainda hoje vigente. Além de 98 pranchas originais de Frisch, a exposição reúne obras de duas artistas indígenas, Jé Hãmãgãy e Jeguakuai Charrua, que redefinem essas imagens a partir de trabalhos que fizeram no contexto de uma bolsa de pesquisa do IMS. Os povos Kaixana, Omágua, Kambeba, Miranha, Mura e Tikuna, retratados pelo fotógrafo alemão, contribuirão para uma reinterpretação decolonial das suas representações, na companhia de trabalhos específicos realizados pela artista de origem indígena e afrobrasileira maranhense Gê Viana. A curadoria é de Aline Ambrósio e Ileana Pradilla Ceron, com assistência de curadoria de Leticia Puri.

    Continua após a publicidade

    Desocultação

    De setembro de 2026 a janeiro de 2027

    A retrospectiva Desocultação, de Fernando Lemos (1926 – 2019), marcará o centenário de nascimento do artista, fotógrafo, editor, designer, escritor e pensador português, naturalizado brasileiro. A exposição apresentará a produção multifacetada do artista a partir do estudo, inventário e catalogação de seu arquivo, relacionando-o com outras dimensões de sua produção, notadamente a escrita e o desenho. Também se debruçará sobre a contribuição de Lemos para o debate artístico no Brasil e sua atuação contra as ditaduras de Portugal e do Brasil. Ao longo da vida, Lemos trabalhou com a ideia de “desocultação”, usando sua arte, fotografia e desenho para enfrentar seus medos e desejos, mas também revelar dimensões inesperadas de nossa humanidade. Nas profundezas do inconsciente, foi buscar a liberdade que precisava para lutar contra as limitações físicas, as perseguições políticas e as barreiras da arte. Com curadoria de Thyago Nogueira, a exposição Desocultação investigará as relações entre fotografia e desenho, luz e sombra, grão e traço, a partir de um mergulho inédito no arquivo de Fernando Lemos depositado desde 2019 no Instituto Moreira Salles.

    Ara Güler / Istambul

    De 14 de novembro de 2026 a 11 de abril de 2027

    Com curadoria de Samuel Titan (IMS) e Tuana Pulak (da Fundação Ara Güler, em Istambul), a exposição tem como tema a obra do fotógrafo turco Ara Güler (1928-2018), o mais importante cronista visual das transformações pelas quais passou sua cidade natal, Istambul, na segunda metade do século XX. Como fotojornalista e como membro da agência Magnum, Güler cobriu diversos episódios da história moderna na Turquia e no exterior, mas a mostra no IMS será devotada quase exclusivamente ao olhar do fotógrafo sobre Istambul, por meio de cerca de 200 imagens em preto e branco, quase sempre das décadas de 1950 e 1960. Cidade milenar às voltas com a modernização frenética do século XX, a Istambul de Güler passa longe do cartão postal e vai se revelando caleidoscopicamente, em camadas e ângulos por vezes discordantes, com grande protagonismo de personagens populares. A mostra se inscreve na sequência de outras ocasiões em que o Instituto Moreira Salles se debruçou sobre a fronteira tênue e fértil entre fotojornalismo e criação artística, a exemplo das exposições sobre Sérgio Larrain (2019) e Joseph Koudelka (2024).

    IMS Paulista

    Avenida Paulista, 2424. Tel: 2842-9120. Ter. a dom., 10h/20h. Grátis.

    Compartilhe essa matéria via:
    Publicidade

    Essa é uma matéria fechada para assinantes.
    Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

    Domine o fato. Confie na fonte.
    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês