Novidade no mercado, Flexa abre exposição que homenageia Luiz Buarque de Hollanda

Galeria carioca mostra pioneirismo do colecionador ao apostar em artistas pouco conhecidos, que se tornaram pilares da arte brasileira

Por Ana Mércia Brandão, do Rio de Janeiro
14 dez 2024, 08h00
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Maria Ferro, Luisa Duarte e Pedro Buarque: trio por trás da Flexa (Daniel Ramalho/Veja SP)
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Na última semana, Pedro Buarque, 58, se dividiu entre compromissos do lançamento de O Auto da Compadecida 2, novo longa de sua produtora, a Conspiração Filmes, e a montagem da nova exposição de sua galeria, a Flexa, de onde conversou com a Vejinha. O espaço de três andares, no Leblon, Rio de Janeiro, completa sete meses com a abertura, no sábado (14), das 15h às 19h, de Um Olhar Afetivo para a Arte Brasileira: Luiz Buarque de Hollanda, que homenageia o advogado e colecionador Luiz Buarque de Hollanda (1939-1999), pai do recém-galerista. “Quando veio a oportunidade de abrir a galeria, pensei ‘caramba, eu vou ter que aceitar, não vai ter jeito’. E, refletindo, percebi que se não fosse meu pai eu não teria essa intimida de com a arte. Então, vi que precisava homenageá-lo”, diz.

Ficam em cartaz cerca de 150 obras da coleção de Luiz, iniciada nos anos 1970, e outras que foram expostas na Galeria Luiz Buarque de Hollanda & Paulo Bittencourt, tocada entre 1973 e 1978. Há nomes como Cildo Meireles, Lygia Clark, Waltércio Caldas e Hélio Oiticica, artistas seminais da arte brasileira hoje, mas sem reconhecimento na época. “A capacidade pioneira e visionária dele de apostar nos artistas que não tinham reconhecimento institucional e muito menos mercadológico, que vieram a alcançar décadas depois, é uma peça fundamental para a construção do circuito da arte brasileira”, diz a diretora artística Luisa Duarte, 45, sócia fundadora da Flexa ao lado de Pedro, e da diretora comercial, Maria Ferro, 26.

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Vistas de um dos andares expositivos, focado em obras que utilizam a geometria (Daniel Ramalho/Veja SP)
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Obra de Sergio Camargo (Daniel Ramalho/Veja SP)

A vasta coleção do advogado é representada com núcleos voltados para a paisagens, obras que utilizam a geometria e outras que reverberam a repressão da ditadura militar. Outro núcleo mostra documentos, páginas de jornal, convites, pôsteres e fotos do interior da casa de Luiz. “O modo como a exposição está organizada remete à forma como ele exibia na própria casa a sua coleção”, diz o curador, Felipe Scovino. O ambiente da galeria é tomado por obras em todos os cantos, inclusive nas paredes que ladeiam as escadas, com a expografia assinada por Daniela Thomas. São exibidos ainda depoimentos coletados de artistas que conviveram com Luiz, como Iole de Freitas, Carlos Zílio e Carlos Vergara.

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Livro de Luiz com dedicatória de Lygia Clark: “o homem mais amado do mundo (por mim, é lógico)” (Daniel Ramalho/Veja SP)

Um Olhar Afetivo para a Arte Brasileira: Luiz Buarque de Hollanda é apenas a terceira mostra da jovem galeria, fundada em maio, em sociedade com a paulistana Almeida & Dale, em ávido processo de expansão. Completam o grupo outra paulistana, Millan, e galerias em Brasília, Goiânia e Recife. “É bom porque conseguimos ter uma capilaridade maior”, diz Maria. “Devido à força que elas têm, conseguimos trazer obras de uma qualidade absurda”, afirma Pedro.

No último andar, o acervo da galeria guarda desde obras do século XIX a trabalhos de jovens artistas contemporâneos, um reflexo da ideia do trio de unir moderno e contempo âneo no espaço expositivo. É daí que vem o nome, como o feminino de “flexo”, da ideia de flexibilidade. “Queremos que a Flexa seja um es aço de encontros”, afirma Maria. Nesse sentido, o espaço tem aberto ao público desde novembro visitas guia as gratuitas, que ocorrem uma vez por mês. E o trio adianta: em 2025, vai trazer a Flexa para a SP-Arte. Os paulistanos vão ter um gostinho dessa mistura. flexagaleria.com.

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Publicado em VEJA São Paulo de 13 de dezembro de 2024, edição nº 2923.

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