Montagem inédita de “Wicked” estreia com 80 mil ingressos vendidos antecipadamente

Produção grandiosa, acompanhada de perto pelo autor da obra original, Stephen Schwarz, traz Myra Ruiz e Fabi Bang pela terceira vez nos papéis principais

Por Fabio Codeço
Atualizado em 20 mar 2025, 16h34 - Publicado em 20 mar 2025, 15h36
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Cena de abertura do musical: Glinda dá notícia da morte de Elphaba  (Ricardo Dangelo/Veja SP)
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Dentro de uma bolha, levitando sobre a população de Oz e a plateia, Glinda, a Bruxa Boa do Norte, anuncia: Elphaba, a Bruxa Má do Oeste, está morta! O povo brada e comemora o fim da criatura que aterrorizava a cidade. Como no espetáculo original da Broadway, de 2003, assim começa a terceira (e mais grandiosa) montagem brasileira do fenômeno Wicked, que estreou para o público na quinta (20), no Teatro Renault, com mais de 80 000 ingressos vendidos antecipadamente (a temporada vai até 8 de junho, com sete sessões semanais).

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Cenas da montagem inédita: cenários impactantes (Ricardo Dangelo/Veja SP)

O sucesso do filme de Jon M. Chu lançado em novembro e estrelado por Ariana Grande e Cynthia Erivo, vencedor de dois Oscars (melhor figurino e melhor designer de produção), explica em parte o interesse renovado no musical composto pelo americano Stephen Schwartz. “Ao contrário de vários outros que tiveram seu ápice e paulatinamente perderam público, Wicked só cresceu em termos de fãs e de importância cultural nestes 21 anos”, afirma o produtor e presidente do Instituto Artium de Cultura, Carlos Cavalcanti, responsável pela temporada que vai custar 19 milhões de reais (valor para montar e manter a peça em cartaz por doze semanas). De fato, a história, que toca em questões como cultura do cancelamento, opressão e fake news, soa mais atual do que nunca.

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Fabi Bang (Glinda) e Myra Ruiz (Elphaba) no camarim: atriz encaram pela terceira vez as protagonistas (Ricardo Dangelo/Veja SP)

Apesar de se basear no original e cumprir todos os rígidos protocolos de aprovação de seus criadores, esta não é uma réplica, mas uma versão brasileira da obra. Responsável também pela montagem de 2023, Carlos optou por investir num projeto inédito. “O que explica uma peça ficar mais de dez anos em cartaz em Nova York ou Londres é o público flutuante de turistas. Aqui não temos isso, então, a ideia é convidar quem não viu a assistir a algo inovador. E quem já viu, a ver algo melhor”, argumenta. Prelúdio para a história de Dorothy, a menina do Kansas levada por um furacão ao mundo paralelo de O Mágico de Oz, Wicked acompanha as jornadas de amadurecimento e transformação de Elphaba e Glinda nas bruxas Má e Boa. A primeira, que nasce com a pele verde, sofre todo tipo de preconceito e desprezo por sua aparência, mas tem dentro de si um grande poder que ainda não domina. A segunda, loira e bela, é a típica menina privilegiada acostumada a ver as portas se abrirem automaticamente para ela. Vivendo em polos opostos, as duas se conhecem na escola de magia e engatam uma amizade improvável.

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Arízio Magalhães _ DR.. Dillamond _ Wicked
Arízio Magalhães como Dr. Dillamond: maquiagem no lugar de máscara (Ricardo Dangelo/Veja SP)

Myra Ruiz e Fabi Bang voltam a encarnar as protagonistas pela terceira vez no teatro — elas também emprestam suas vozes à Cynthia e Ariana na versão brasileira do filme. “A Elphaba representa meu próprio processo de amadurecimento como mulher, artista e ser humano. Ela me acompanhou em diferentes fases da vida e em cada uma vivenciei melhor uma etapa de seu crescimento”, conta Myra, que atuou em mais de 20 musicais. Para entrar na pele da personagem, ela passa por mais de uma hora de maquiagem, feita com uma tinta desenvolvida especialmente para a produção.

O diretor Ronny Dutra e os números da nova montagem_Wicked2005
O diretor Ronny Dutra e os números da nova montagem (Ricardo Dangelo/Veja SP)
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Fabi, que começou a carreira nos musicais em O Fantasma da Ópera (2005) e venceu o Prêmio Bibi Ferreira de melhor atriz por seu desempenho como Glinda na montagem de 2016, retorna ao papel. “É uma personagem cativante, humana. É a jovem adolescente cheia de privilégios, que vive num contexto de alienação social, não sabe o que é ser contrariada. Mas aprende na marra que a sociedade é hostil, cheia de diferenças. E é nelas que a gente agiganta nosso caráter e empatia”, defende a atriz.

L to R: Ariana Granda is Glinda and Cynthia Erivo is Elphaba in WICKED, directed by Jon M. Chu
Ariana Granda (Glinda) e Cynthia Erivo (Elphaba): estrelas do filme ganhador de dois Oscars (Universal Pictures/Divulgação)

Em duas horas e meia de espetáculo, o público presencia números afinadíssimos e bem coreografados, além de truques de mágica, pirotecnia e voos de tirar o fôlego — como Vejinha pôde conferir em sessão fechada no domingo (16). Para que tudo saia impecável, a equipe de 36 atores, dezessete músicos e 296 profissionais nos bastidores encarou uma maratona nos últimos dois meses. Foram oito horas diárias de ensaios, seis dias por semana, sob o comando do diretor e coreógrafo Ronny Dutra, brasileiro que vive em Nova York há treze anos e coleciona outros trabalhos com Schwartz. “Esta é uma história que merece ser contada em qualquer época e em qualquer lugar”, diz ele, que trocou as tradicionais máscaras do Dr. Dillamond por maquiagem (“para que o público pudesse ver suas expressões”), além de ter conseguido a proeza de revelar um trecho inédito da música Wonderful, nunca mostrado.

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Sessão de montagem na Broadwat, em 2024: com Talia Suskauer (Elphaba) e Brittney Johnson (Glinda) (Joan Marcus/Divulgação)

Ronny também procurou dar toques brasileiros. “Podemos fazer a ponte entre a escola Broadway e o nosso material, que é riquíssimo”, diz, destacando piadas locais como “joguei um verde” ou “a bruxa está solta”. A produção conta ainda com os cenários de estruturas móveis que emulam escadarias, prédios e florestas, assinados pelo inglês Michael Taylor, a luz impactante do também britânico Nick Ritchins, o design de som do expert argentino Gastón Briski, a direção musical de Thiago Rodrigues e os lindos figurinos de outro trio de especialistas: Ligia Rocha, Jemima Tuna e Marco Pacheco.

A nova montagem de dimensões superlativas reflete o bom momento do gênero na cidade, que tem uma dezena de representantes atualmente em cartaz. “Ver tantas produções se apresentando ao mesmo tempo é uma alegria. O sucesso de uma representa o sucesso de todas. São Paulo é o terceiro polo de musicais no mundo, atrás somente de Broadway e West End”, comemora o diretor. Para deleite da plateia.

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Os números impressionantes de Wicked na Broadway

  • 21 anos em cartaz
  • 1,68 bilhão de dólares de bilheteria
  • 4º musical mais assistido da história
  • 8.000 + sessões realizadas
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