Avatar do usuário logado
Usuário

Grande Prêmio de Fórmula 1 tem maior infraestrutura e uma Fanzone repleta de atrações

Evento no Autódromo de Interlagos contou com investimento de 500 milhões de reais e tem expectativa de movimentar 2 bilhões na economia paulistana

Por Luana Machado e Humberto Abdo 7 nov 2025, 08h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 23h55
formula-1-grande-premio-de-sao-paulo
Réplica do carro do Ayrton Senna na pista de Interlagos, no "S" do Senna (Agliberto Lima/Veja SP)
Continua após publicidade
Grande Prêmio de Fórmula 1 tem maior infraestrutura e uma Fanzone repleta de atrações Priorizar nos meus resultados Google

Quem entra no Autódromo de Interlagos em meio à montagem da megaestrutura do Grande Prêmio de Fórmula 1 pode entender a magnitude do espaço sendo totalmente aproveitado para sua mais completa finalidade. Mesmo entre dezenas de caminhões, colaboradores em equipamentos de segurança e carrinhos de golfe em deslocamento, é quase possível ouvir os sons das arquibancadas e sentir a expectativa em torno do asfalto, ainda em preparação para receber as dez maiores equipes do automobilismo mundial em um dos maiores espetáculos do esporte. O show sobre rodas ocorre no próximo domingo (9), com os vinte pilotos — entre eles Lando Norris e Oscar Piastri, que estão na liderança, além de Max Verstappen, George Russell, Charles Leclerc, Lewis Hamilton e o brasileiro Gabriel Bortoleto — disputando a mais de 300 quilômetros por hora nos 4 309 metros de extensão do autódromo, composto por quinze curvas.

formula-1-grande-premio-de-sao-paulo
Pilotos para o GP Brasil de F1 (Agliberto Lima/Veja SP)

Antes disso, porém, a grande festa que ocupará durante três dias o espaço já estará a todo vapor desde a sexta-feira (7), quando acontecem os treinos livres das equipes. “A cada ano procuramos fazer uma edição melhor que a do ano anterior. Esse deixou de ser um evento esportivo para se tornar um grande espetáculo. Até porque o que acontece dentro e fora da pista é de fato espetacular”, destaca Alan Adler, CEO do GP.

formula-1-grande-premio-de-sao-paulo
Grafite Ayrton Senna. Kobra é o autor (Agliberto Lima/Veja SP)
Continua após a publicidade

Para esta edição, a organização não poupou esforços e decidiu investir mais na programação musical do espetáculo, que contou com Max Viana como diretor musical. O carioca, filho do mestre Djavan, com experiência na produção de festivais, encarou a missão de usar a Fanzone, área sem visão direta para a pista onde estão o palco e várias ativações de patrocinadores, como vitrine da cultura brasileira. “A ideia é fazer um evento bem diversificado musicalmente. São grandes nomes de vários gêneros brasileiros, uma escolha não só para agraciar o público, mas porque é bacana mostrar isso para o mundo. A gente quer atrair quem é fã de automobilismo e também ser um ponto cultural, de entretenimento, no qual você pode conhecer artistas novos”, compartilha o curador.

formula-1-grande-premio-de-sao-paulo
Max Viana em Interlagos (Agliberto Lima/Veja SP)

Para dar o pontapé inicial, ninguém melhor que Seu Jorge, que apresenta o show da mais nova turnê, Baile à la Baiana. Nela, o artista mistura samba, ritmos da música baiana e MPB. Na sequência, Matheus & Kauan sobem ao palco com clássicos da carreira e sucessos mais recentes. “Um show mais explosivo, cheio de hits e momentos marcantes, até porque é um público diverso, com gente do Brasil inteiro e de fora também. Poder levar o sertanejo para esse ambiente, agora com a ampliação da Fanzone, é muito especial”, adiantou a dupla.

Continua após a publicidade

No domingo, Thiaguinho encerra em grande estilo. “Fiquei feliz de apresentar um line-up com muitos artistas negros. Eles não foram escolhidos por isso, mas a consequência é muito bacana. A gente queria cantores muito potentes que pudessem se comunicar bem e gerar uma sensação de representatividade para o público”, confessa Viana.

formula-1-grande-premio-de-sao-paulo
Fanzone: ingressos esgotados e público maior (Divulgação/Divulgação)

Fora da Fanzone, outros artistas ocupam a área do Grand Prix Club, um novo setor com vista panorâmica que tem capacidade para acomodar até 3 000 pessoas em um prédio com infraestrutura para ativações, bares e apresentações. Entre as atrações presentes estão Mel Lisboa cantando Rita Lee, Feyjão e Salgadinho com uma roda de samba, além de Toni Garrido com seus sucessos das décadas de 90 e 2000. Outras alternativas para “esticar” a experiência mesmo após o término das corridas estão no Nosso Club, que possui 1 200 metros quadrados com vista para os treinos e corridas. Por lá, as after-parties vão contar com DJs como Vintage Culture, Doozie, Bruno Be e Antdot, além de serviço all-inclusive. Os patrocinadores, como a MSC Cruzeiros, a Heineken e a Motorola, também terão espaços e experiências exclusivas ao longo do final de semana.

Continua após a publicidade

Mais uma novidade no Grande Prêmio é o investimento na logística e infraestrutura para receber o megaevento. O valor total das modificações chegou a 500 milhões de reais, financiados pela prefeitura de São Paulo, que administra o autódromo. “Temos um túnel novo, que vai facilitar muito a movimentação de carga, assim como a circulação do público. Para nós, essa é uma grande conquista”, aponta Adler. As arquibancadas também foram renovadas, com substituição das estruturas modulares por versões mais modernas e confortáveis, vindas diretamente da França. Será a segunda vez que elas serão usadas — a primeira foi nos Jogos Olímpicos de Paris.

formula-1-grande-premio-de-sao-paulo
Alan Adler, CEO do GP de São Paulo, nas arquibancadas novas (Jonne Roriz/Divulgação)

As melhorias estruturais ainda incluem modernizações na pista, no pit lane e nos sistemas de drenagem e esgoto integrados à Sabesp. Outras frentes estão em processo de execução, como a requalificação da pista de arrancada, orçada em 38,9 milhões de reais e com entrega prevista para maio de 2026, a implantação de túneis para veículos pesados e a contenção ambiental com muro de gabião junto à Área de Proteção Ambiental, com valor estimado em 22,1 milhões de reais.

Continua após a publicidade

Neste ano, além do apoio da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública, é a primeira vez que o evento terá câmeras do programa Smart Sampa — 56, na parte interna — e pontos de acolhimento com assistentes sociais e psicólogos para atender a qualquer ocorrência de racismo e discriminação. A iniciativa olha para a mudança de público do GP, que está cada vez mais feminino. “A Fórmula 1 é um evento que se renova. A participação do público feminino cresceu de 5% em 2004 para 37% na edição de 2024, reflexo direto da ampliação do interesse e da participação das mulheres no universo”, afirma Gustavo Pires, presidente da SPTuris, empresa da gestão municipal responsável pelo planejamento de eventos.

O mesmo acontece com a presença do público jovem. “Antigamente, o pai arrastava o filho para o GP, agora é o filho que arrasta o pai”, indica Alan Adler. Os dados do Observatório de Turismo e Eventos da SPTuris mostram que, na edição do ano passado, além do público predominante, da faixa de 30 a 39 anos, o grupo de 25 a 29 anos, somado ao de 18 a 24 anos, já ultrapassava 40%. O levantamento ainda aponta que as pessoas de até 29 anos foram de 27% para 33% do total.

formula-1-grande-premio-de-sao-paulo
Réplica do capacete do Ayrton Senna (Agliberto Lima/Veja SP)
Continua após a publicidade

Em relação à movimentação econômica que o GP gera na cidade, a estimativa é que fique entre 2,1 e 2,2 bilhões de reais, acima do 1,96 bilhão registrado em 2024 (veja o quadro ao lado). Na hotelaria, a SPTuris calcula 94% de ocupação média em hotéis na Zona Sul e no centro, com destaque para a região da Avenida Paulista. No ano passado, os turistas tiveram um gasto médio de 4 648,67 reais no período.

Com os ingressos esgotados, até mesmo os do lote extra que entrou em venda na quarta-feira (29), é previsto que o Autódromo de Interlagos tenha dias de movimento intenso até a coroação da festa. No pódio, os mais rápidos do mundo serão agraciados com troféus que carregam pioneirismo, isso porque é a primeira vez que as taças ficam sob a tutela do Grande Prêmio de São Paulo. Antes encomendadas por patrocinadores, em 2025 elas foram desenhadas pelo escritório Furf Design Studio, dos curitibanos Maurício Noronha e Rodrigo Brenner. Eles encararam o desafio de desenvolver peças que homenageiam a identidade brasileira sem perder o DNA do automobilismo. “Fui olhar para essa brasilidade plural. Existem muitos Brasis, então tentar simbolizar o todo seria fracassar”, conta Maurício.

formula-1-grande-premio-de-sao-paulo
(Divulgação/Divulgação)

A saída foi construir taças de prata, um espelho, com várias camadas remetendo a louros da vitória. “É uma estrutura com engenharia complexa, feita com impressão 3D e finalização em banho de prata. É high tech, mas também é superartesanal”, complementa Brenner. Com 52 centímetros de altura e peso de 5 quilos, no limite do permitido, elas possuem formato curvo em S — menção ao ídolo nacional —, dez camadas de folhas, representando o número de equipes, e um formato de relógio no topo, o que reverencia a corrida dos pilotos contra o tempo. Os objetos irão encerrar com chave de prata o grande momento do automobilismo em São Paulo.

Publicado em VEJA São Paulo de 7 de novembro de 2025, edição nº 2969

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês