Avatar do usuário logado
Usuário

Deepfake: tecnologia permite colocar rosto e voz em outro corpo

Bruno Sartori é referência na técnica de vídeo e faz sucesso nas redes sociais ao trocar feição de personagens por políticos e outros famosos

Por Fernanda Campos Almeida 3 jul 2020, 06h00 | Atualizado em 27 Maio 2024, 17h57
capa tiktok
Bolsonaro ou Carminha? Técnica deepfake copia aparência, expressão e voz (Reprodução/Reprodução)
Continua após publicidade
Deepfake: tecnologia permite colocar rosto e voz em outro corpo Priorizar nos meus resultados Google

O rosto de Jair Bolsonaro no corpo de Carminha, personagem de Adriana Esteves em Avenida Brasil, circulou com sucesso pelas redes sociais na icônica cena em que ela grita “Desgraçado! Inferno!”. A brincadeira fez alusão ao episódio em que o apresentador William Bonner entrou em um plantão do Jornal Nacional no meio da novela Fina Estampa, das 21h, para atualizar o número de mortos e de contaminados pelo novo coronavírus depois que o Ministério da Saúde decidiu divulgar essas informações somente após o horário de término do telejornal. Essa é uma das montagens com o presidente e outros políticos no lugar de personalidades, que vão de Dercy Gonçalves a Lady Gaga. E o criador é Bruno Sartori, 31, referência no Brasil da técnica chamada deepfake.

capa tiktok
Deepfake de Bolsonaro cantando “Cloroquina”, paródia da música de Tiririca Florentina (Reprodução/Reprodução)

A tecnologia usa inteligência artificial para criar vídeos que reproduzem não só a aparência, mas também as expressões e a voz. É uma espécie de “Photoshop” para vídeos, em que uma coleção de milhares de áudios e de fotos da pessoa é vinculada a um sistema semelhante a um programa de computador, que aprende a identificar padrões e passa a reproduzi-los em novas imagens. O processo se chama “aprendizado de máquina”, porque o computador entende sozinho as expressões do rosto em qualquer ambiente.

+Assine a Vejinha a partir de 6,90

O sistema é uma biblioteca de código aberto, ou seja, qualquer pessoa que saiba desenvolver códigos pode baixar e usar a tecnologia. Sartori trabalha com edição de vídeos desde os 15 anos e procurava tutoriais na internet sobre troca de rostos quando achou a biblioteca na plataforma americana de fóruns Reddit, em 2017. O usuário que divulgava a tecnologia utilizava o codinome “deepfake” e colocou rostos de famosas no lugar de atrizes em filmes pornográficos. “Vi potencial para usar no meu trabalho”, conta.

bruno sartori
Bruno Sartori: sucesso nas redes sociais com as montagens (Arquivo pessoal/Veja SP)
Continua após a publicidade

Apesar de a tecnologia ser acessível, não é possível fazer a edição em qualquer tipo de computador. “Tentaram reproduzir o que faço em computadores domésticos e, quando perceberam a dificuldade, desistiram”, diz o deepfaker. Ele demora cerca de cinco dias para criar uma montagem usando uma placa de vídeo poderosa, que custa, em média, 11.000 reais. Sartori, que nasceu em Minas Gerais, mudou-se para São Paulo para trabalhar em uma produtora de televisão, mas teve o contrato suspenso por causa da pandemia do novo coronavírus. Para que os vídeos com as montagens continuem a ser produzidos, ele criou uma campanha contínua na plataforma de financiamento coletivo apoie.se e está arrecadando cerca de 5.000 reais por mês. Sartori conseguiu transformar a técnica em uma forma de entretenimento, com vídeos de humor e crítica social e política, mas afirma que o surgimento de novas tecnologias traz também novas consequências.

“Tenho consciência que, se utilizada de forma indevida ou ilícita, pode enganar muita gente se a população não for educada em relação à existência dessa ferramenta. Como o presidente da República nunca usaria uma peruca loira ou imitaria uma atriz de novela, os vídeos são criados em contextos absurdos para que o público se familiarize com a técnica”, diz. Como a plataforma é aberta, fotos e áudios são sempre adicionados à biblioteca, e o sistema se atualiza e a tecnologia é aperfeiçoada.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 8 de julho de 2020, edição nº 2694. 

LEIA TAMBÉM : TikTok bomba na quarentena e lança nova geração de influenciadores

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês