Avatar do usuário logado
Usuário

Chay Suede estreia nos palcos com monólogo que mistura ficção, literatura e fatos reais de sua juventude

Dirigido por Felipe Hirsch, 'A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay' faz temporada no Teatro Cultura Artística

Por Laura Pereira Lima
12 mar 2026, 11h50 •
chay-suede-monologo
Realidade e ficção: espetáculo brinca com a noção de verdade (Mayra Azzi/Divulgação)
Continua após publicidade
  • A infância e a adolescência de Roobertchay não foram exatamente comuns. Criado no interior do Espírito Santo, filho de um empreendedor excêntrico, o menino passou a juventude participando dos negócios insólitos do pai: ora viajando o Brasil como guia de informações em uma exposição com tubarões vivos (ainda que um pouco definhados), ora vestindo roupas apertadas de lycra verde para assustar visitantes em um show temático de alienígena que rodou shoppings do país. Esses episódios da juventude servem de matéria-prima para A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay, em cartaz no Teatro Cultura Artística. O título ainda começava com “Peça Infantil” — provocação que mais tarde foi retirada para evitar mal-entendidos, já que a montagem é destinada a adultos.

    Quem dá vida ao ingênuo e autocentrado narrador é Chay Suede, criado no subúrbio de Vitória, quando ainda usava o nome de nascimento: Roobertchay Domingues da Rocha Filho. Os fatos narrados em cena são causos reais da vida do ator — ou quase. Revestidas por elementos ficcionais e referências literárias que remontam ao século XVIII, as interpretações da sua juventude ganham novas camadas e brincam com a percepção que o público tem da realidade.

    chay-suede-monologo
    Histórias familiares: Chay, com máscara de ET, em referência a sua infância trabalhando no show do pai (Mayra Azzi/Divulgação)

    Sozinho em cena, alternando entre um terno sóbrio, uma fantasia de tubarão, um macacão verde de alienígena e uma roupa de Elvis Presley, Chay faz sua primeira incursão no teatro. “Não passei minha adolescência pensando em ser ator”, conta o artista, que ingressou na televisão como calouro de um reality show de música aos 17 anos, após ser empurrado à seleção pelo pai. Depois de anos atuando em novelas de sucesso, como Babilônia (2015) e Segundo Sol (2018), a curiosidade de subir no palco o fez entrar em contato com Felipe Hirsch, um de seus diretores favoritos e o responsável pela ideia de transformar a peça em “pseudodocumentário”. “Me interessa muito pensar em como hoje as pessoas têm essa expectativa desproporcional de descobrir se algo é verdade ou não”, explica o diretor.

    chay-suede-monologo
    Chay, criança, no show do pai (Redes Sociais/Reprodução)
    Continua após a publicidade

    Para chegar ao produto final, Hirsch e Caetano Galindo, coautor do texto, fizeram uma série de entrevistas com o artista. “Contei coisas que nunca tinha contado para ninguém”, lembra ele, que, no começo do processo, ficou inseguro de revelar aspectos tão pessoais de sua vida. “Depois de um tempo, passei a me conectar muito mais com a obra do que com os gatilhos que a geraram. Hoje, mal sei o que é verdade e o que é mentira”, diz.

    chay-suede
    (Mayra Azzi/Divulgação)

    Depois de uma bateria de ensaios — ele decorou mais de cinquenta páginas e 15 000 palavras — Chay fez sua estreia no teatro em janeiro, no Rio de Janeiro. “Foi quase uma paralisia total dos sentidos. Quando tocou o terceiro sinal eu não tinha certeza se ia conseguir andar até o palco. Era como me jogar em um abismo.” Na capital paulista, o desafio é dobrado: ele faz duas sessões por dia, equilibrando a nova vocação cênica com a gravação, no Rio, da novela Quem Ama Cuida, prevista para maio de 2026.

    Continua após a publicidade

    A ansiedade da estreia foi recompensada por uma temporada elogiada e uma visita de Fernanda Montenegro. “Ela me disse coisas lindas, que ninguém nunca me disse na vida”, conta o ator, que, ao chegar em casa, recebeu uma série de áudios da dama do teatro brasileiro. “Quero enquadrar essas mensagens na parede de casa”, brinca. Perguntado se pensa em continuar se apresentando, ele não titubeia: “Acho que é algo que eu vou fazer o resto da minha vida”.

    Teatro Cultura Artística. Rua Nestor Pestana, 196, Consolação, 3256-0223. →. Sáb., 19h e 21h30. Dom., 17h e 19h30. R$ 160,00 a R$ 220,00. Até 3/5. ticketmaster.com.br.

    Publicado em VEJA São Paulo de 13 de março de 2026, edição nº2986

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês