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Carlito Carvalhosa é homenageado com duas mostras em SP e vai ganhar documentário

Grande nome da arte contemporânea, falecido precocemente em 2021, tem retrospectivas no Sesc Pompeia e no Instituto Tomie Ohtake, além de livro e audiocatálogo

Por Ana Mércia Brandão 24 out 2024, 17h00
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Carlito em 2013: na montagem original de 'Sala de Espera', no MAC-USP (Acervo Carlito Carvalhosa/Divulgação)
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O Sesc Pompeia exibe, até 9 de fevereiro, cinco grandes instalações de Carlito Carvalhosa (1961-2021), um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, na exposição A Natureza das Coisas. Paralelamente, a partir desta sexta (25), cerca de 200 de suas pinturas e esculturas também entram em cartaz em no Instituto Tomie Ohtake.

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Obra de 1989, em cartaz no ITO: cera, óleo, resina e estopa sobre madeira (Aveda/Divulgação)

Ambas são fruto do trabalho de pessoas que conheceram o artista, capitaneado pelo Acervo Carlito Carvalhosa, iniciado por sua esposa, a diretora Mari Stockler, e suas filhas, Maria e Cecília, pouco tempo depois de sua morte, em maio de 2021. “O artista tem essa qualidade: o corpo físico morre, mas a obra fica. Carlito virou obra e essa precisa ser cuidada”, diz Stockler.

“Desde o início, a intenção era apresentar esse conjunto de obras, amarradas pelos documentos deixados por ele”, completa Lúcia Stumpf, curadora do acervo, que dividiu a curadoria de ambas as exposições e a organização de uma monografia do artista — a ser publicada pela Nara Roesler Livros em dezembro — com Luis Pérez-Oramas, parceiro profissional de longa data de Carlito, e outros profissionais. “Ele deixa o legado da potência da arte enquanto matéria. Carlito não produzia imagens, ele mergulhava na matéria”, define Oramas.

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Molde de ‘Já Estava Assim Quando Eu Cheguei’ (2006): no Sesc Pompeia (Flávio Freire/Divulgação)

No Sesc Pompeia, pela primeira vez, mais de uma instalação do artista é apresentada simultaneamente. Elas se adaptam ao prédio projetado por Lina Bo Bardi, admirada pelo artista, que também era arquiteto. “Trouxemos a memória dos materiais utilizados com a ajuda de pessoas que trabalharam com ele. Carlito foi o artista em vida de quem mais fiz exposições”, conta Daniel Rangel, outro membro do time de curadores de A Natureza das Coisas. Copos transparentes e luzes fluorescentes de Imaterialidade (2015) se juntam ao molde de fibra de vidra de Já Estava Assim Quando Eu Cheguei (2006), originalmente uma peça de 8 toneladas exibida no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

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Copos pendurados: ‘Imaterialidade’ (2015) (Flávio Freire/Divulgação)
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Já no Tomie Ohtake, obras dos tempos de Casa 7 (seu ateliê entre 1982 e 1987) dividem espaço com as Ceras Perdidas (as primeiras esculturas tridimensionais, criadas entre 1994 e 1995) e o último trabalho, uma pintura em alumínio de 2021. É possível observar como sua produção dialoga entre si, no uso de materiais recorrentes, como a encáustica, mistura de cera, óleo e pigmento. Com Ana Roman e Paulo Miyada na curadoria, a exposição A Metade do Dobro se completa com o audiocatálogo Uma Coisa por Outra, da editora Supersônica, que tem a filha Maria como sócia. Nele, 25 artistas, curadores, pesquisadores e críticos próximos a Carlito, entre eles Nuno Ramos, Erika Verzutti, Arnaldo Antunes e Iole de Freitas, descrevem doze de suas obras. “Foi muito bom ouvir sobre ele”, diz Maria. O conteúdo ficará disponível nas plataformas digitais.

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Obra de 2019: cera e óleo sobre madeira (Erika Mayumi/Divulgação)

Tem mais. O processo de montagem das exposições foi acompanhado pela diretora Karen Harley, que está produzindo um documentário. “Estamos captando recursos. Vai ser um mergulho criativo e pessoal no Carlito, com total acesso ao acervo”, conta ela, mais uma amiga do artista que mergulhou nas merecidas homenagens a seu legado.

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Publicado em VEJA São Paulo de 25 de outubro de 2024, edição nº 2916.

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