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Cantora de Itapetininga, no interior paulista, lança primeiro disco aos 91 anos

Sete décadas após paralisar a carreira musical, a cantora Maria Piedade estreia álbum homônimo

Por Luana Machado
Atualizado em 21 ago 2025, 13h03 - Publicado em 21 ago 2025, 12h20
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A cantora na gravação (Arquivo pessoal/Reprodução)
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Matriz de uma grande família com raízes musicais, a cantora Maria Piedade, prestes a completar 92 anos, lança seu primeiro álbum, que leva seu nome, fruto de um empenho familiar. Com nove faixas que homenageiam o esposo, o médico Paulo Novaes (1928-2007), o disco, já disponível nas plataformas de áudio, remonta à história de amor do casal que gerou oito filhos, 21 netos e dez bisnetos.

Apesar do debute, a trajetória musical da artista natural de Itapetininga, no interior paulista, é de mais de sete décadas. Vinda de um lar musical — a mãe tocava sanfona e o pai era cantador —, Margarida, como é conhecida pelos amigos no interior, deu o pontapé inicial na carreira em 1954, aos 20 anos, quando decidiu se inscrever no concurso A Voz do Centenário, da Rádio Nacional, que escolheria uma cantora para os programas de auditório em celebração ao aniversário de 400 anos da capital. “Eu havia terminado a escola normal e resolvi ir para São Paulo fazer o Conservatório de Canto Orfeônico porque pretendia ser professora de música. De repente, escutei na rádio sobre o concurso e corajosamente coloquei meu nome”, recorda.

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(Arquivo pessoal/Reprodução)

Entre mais de trezentas candidatas, ela foi selecionada como a nova voz da emissora, que abrigava talentos como Nelson Gonçalves, Hebe Camargo, Ângela Maria e Emilinha Borba. Em ascensão, a cantora lidou com a desaprovação do pai, Luiz Trindade, que quis afastá-la do ambiente da rádio. A decisão final de paralisar a carreira, porém, veio quando a jovem cantora optou por reatar com o então namorado Paulo Novaes, que havia rompido com ela durante o concurso por meio de uma carta. Dois meses após o término, o estudante de medicina se arrependeu ao ouvir a amada cantando na rádio e os dois retomaram o romance. “Analisando a situação achei por bem voltar para a minha terra e seguir a vida junto com esse rapaz, que foi meu marido por cinquenta anos e o grande amor da minha vida”, confessa Maria, que lecionou música para as crianças em Capão Bonito até 1957, quando se casou e mudou-se para Avaré, onde criou os filhos e passou o amor pela música para as gerações futuras.

Décadas depois, o primogênito, Juca Novaes, integrante do grupo Trovadores Urbanos, e o neto Paulo Novaes, artista ganhador do Grammy Latino de 2021 por melhor canção em língua portuguesa, decidiram concretizar um sonho antigo da família: um disco na voz da matriarca. Começaram com algumas gravações em 2018, paralisadas por causa da pandemia, e retomaram em 2023, quando o neto convocou um time de músicos para integrar o projeto. “Para escolher esse elenco, eu levei em conta os vínculos. Mesmo não tendo seguido a carreira como cantora, minha avó gerou muitos frutos na música, até porque ela deu aulas. O João Camarero, por exemplo, que é um violonista maravilhoso e está no disco, é de Avaré e começou a iniciação musical na casa da minha avó”, conta Paulo.

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Lançamento: capa do álbum Maria Piedade (Marina Novaes/Divulgação)

Breno Ruiz, que traz seu piano no álbum, também compartilha elos que foram essenciais para sua formação como compositor e cantor. “A história da dona Margarida atravessa uma parte importante da minha vida. Eu sou de Itapetininga e ela foi professora de música da minha mãe e das minhas tias. E o repertório que elas aprenderam com dona Margarida fez parte da minha construção”, compartilha o músico.

Uma parte desse repertório está no lançamento, que inclui uma versão do clássico do jazz Meu Coração Tolo e Arrependimento, de Silvio Caldas e Cristóvão de Alencar, canção que marca a retomada do casal Maria e Paulo. Surpresa com a repercussão do projeto, a cantora dedica as faixas para os filhos e netos: “Nunca pensei em voltar a ser cantora, mas, agora, tem esse pequeno CD que deixo para eles”.

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Publicado em VEJA São Paulo de 22 de agosto de 2025, edição nº 2958

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