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“A língua é uma tecnologia de sobrevivência”, afirma Ailton Krenak

Ativista é um dos curadores do evento Língua Mãe, que discutirá a preservação de línguas nativas no Museu das Culturas Indígenas

Por Laura Pereira Lima 16 Maio 2024, 18h48 • Atualizado em 18 Maio 2024, 16h24
Imagem mostra rosto de homem sorrindo
 (Stig de Lavor/Divulgação)
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  • Primeiro indígena na Academia Brasileira de Letras, eleito em 2023, Ailton Krenak enfrenta um novo desafio: jogar luz sobre o estado de insegurança das línguas nativas no Brasil. Com esse objetivo em mente, o ativista convidou a filósofa Suely Rolnik e a artista Andreia Duarte para compor a curadoria de Língua Mãe, evento no Museu das Culturas Indígenas do Estado de São Paulo que discutirá as ameaças e perspectivas de revitalização desses idiomas, nos dias 18 e 19 de maio.

    A bandeira levantada por Krenak vai ao encontro de um movimento global. A UNESCO proclamou o período de 2022 a 2032 como a Década das Línguas Indígenas, diante de dados preocupantes. Segundo a ONU, quatro a cada dez línguas nativas correm o risco de desaparecer atualmente no mundo.

    No evento, estarão reunidos representantes dos povos Maxakali, Krenak, Guarani, Tupi, Baniwa, Kokama, Pataxó, TerenaKaingang, Xavante e Guajajara para conversas com performances de dança e música.

    “Montamos uma curadoria que escapa do casulo acadêmico e vai para a experiência poética, espiritual”, explica Krenak, autor de Ideias Para Adiar o Fim do Mundo (Companhia das Letras, 2019). O evento tem realização do Prince Claus Fund e da Outra Margem e também terá programação no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil, no dia 22.

    “Existe um paralelo entre a erosão das línguas originárias e a destruição dos ecossistemas onde esses povos prosperaram ao longo dos séculos”, aponta Krenak, citando as sucessivas invasões de reservas indígenas por garimpeiros. O estado frágil em que se encontram essas línguas também coincide com uma desvalorização sistêmica das culturas tradicionais, amparada pelo racismo, além de um êxodo para a cidade — segundo o IBGE, 63% dos indígenas brasileiros vivem em áreas urbanas.

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    “A língua é uma tecnologia de sobrevivência. E a humanidade está ficando pobre em seus meios de sobrevivência”, defende Krenak.

    Além de localizar fatores de risco, Língua Mãe também trará a discussão sobre estratégias de revitalização linguística. Para o escritor, o processo passa por fortalecer a identidade dos povos e incentivar as práticas culturais. Essas práticas implicam no uso da língua, para cantar, para falar. É um ativador de memória linguística”, justifica.

    “A língua é uma chave de compreensão dos fenômenos. Se a gente perde essa chave, perdemos a magia da poética de estar vivo, de produzir e criar mundos. Porque uma língua é capaz de criar mundos”, finaliza Krenak.

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