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Como aproveitar 48 horas de loucura em Amsterdã

Em pleno feriado nacional, descobrimos a capital holandesa correndo contra o relógio em um roteiro com arte, cultura, cerveja e poucas horas de sono

Por Humberto Abdo 1 Maio 2025, 12h00 • Atualizado em 8 Maio 2025, 12h12
Foto de canal e prédios de Amsterdã
Parques, bikes e canais: área central quase cenográfica (Wirestock/Freepik/Reprodução)
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  • No aniversário do rei Willem-Alexander, a única ordem é celebrar. Em 27 de abril, a Holanda ganha passe livre para beber na rua (proibido nos demais dias do ano em áreas centrais e turísticas), qualquer pessoa pode montar uma barraquinha na calçada para vender itens usados, música alta está liberada e o uso de roupas na cor laranja é praticamente obrigatório. Esse é o feriado King’s Day, conhecido como um dos dias mais agitados do país.

    Nessa mistura de Carnaval com um quê de quermesse, a carta branca à loucura foi o convite perfeito para descobrirmos Amsterdã em ritmo frenético. Em outras datas, seria impossível ver um morador local discotecando na porta de casa ou o congestionamento de barcos lotando os canais da cidade. Mas o teste de fogo rendeu um guia para quem estiver com o cronograma apertado em qualquer época do ano.

    Foto do reflexo de uma poça mostrando moça de bike passando por Amsterdã
    Amsterdã: cidade das bikes (Koen Smilde Photography-Rechtenvrij Crédito Koen Smilde Photography/Freepik/Reprodução)

    + Marcelo D2 faz roda de samba pelos canais de Amsterdã

    Terra de Rembrandt, tulipas e delícias de maçã, a capital é muito mais do que o extenso cardápio de Cannabis (e cogumelos) vendidas nas coffee shops — e esse tipo de “quitute” só deve provocar atrasos em um trajeto acelerado.

    Durante o dia, arte, cultura e cerveja são boas escolhas, a começar pela tradicional Heineken Experience, um passeio na primeira fábrica da cervejaria com tour pela história da marca e todas as etapas de produção. O passeio termina em um animado bar de chope, com a opção de apreciar a vista do terraço do edifício.

    Foto de fábrica da Heineken com vitrais ao fundo
    Heineken Experience: tour, terraço e chope (Divulgação/Divulgação)
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    Um toldo em listras brancas e vermelhas protege as prateleiras de revistas e jornais na calçada da Athenaeum, livraria aberta desde 1966. Além da seleção de literatura internacional espalhada pelos andares desnivelados e vertiginosos da loja, o catálogo de publicações estrangeiras também é vasto, com zines independentes e títulos de grandes editoras.

    Foto de livraria com bike na porta e toldo listrado em branco e vermelho
    Livraria independente no coração de Amsterdã: revistas de todas as partes do mundo (Divulgação/Divulgação)
    Foto olho de peixe de livraria em antigo edifício
    Athenaeum, em Amsterdã (Divulgação/Divulgação)

    Para quem já conhece o Museu Van Gogh e a Casa de Anne Frank, o tempo pede um desvio em direção à área norte. Dá para chegar de carro, mas é mais divertido pegar a balsa gratuita e andar pelos galpões industriais e pelos muros de concreto preenchidos de grafites e adesivos, um contraste com os predinhos cenográficos à beira do rio. É lá que fica o Straat Museum, fácil de identificar com o mural Let Me Be Myself, do paulistano Eduardo Kobra, no topo da fachada que antecipa um enorme espaço com quadros em grande escala, todos dedicados ao grafite e à arte urbana.

    + Murais de Eduardo Kobra serão restaurados em São Paulo

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    Mais de dez artistas brasileiros compõem o acervo. E esse número está prestes a crescer com duas exposições inéditas: Pixação: Resistance and Rebellion, com participação de Lixo Mania, Cripta Djan e Eneri, a partir de 27 de junho; e Nalata X Straat, de um mesmo projeto realizado há cinco anos em São Paulo, com abertura em 14 de agosto.

    Arte urbana e grafite: nomes brasileiros compõem acervo de quadros em grande escala
    Arte urbana e grafite: nomes brasileiros compõem acervo de quadros em grande escala (Divulgação/Divulgação)
    Let Me Be Myself: mural de Kobra cobre a fachada do Straat Museum
    Let Me Be Myself: mural de Kobra cobre a fachada do Straat Museum (Divulgação/Divulgação)

    De volta ao centro, acredite no poder da intuição noturna quando começar a bater pernas sem rumo, especialmente nas ruas próximas à Praça Rembrandtplein. O encontro com algum bom bar de esquina é inevitável. Após a meia-noite, seguindo o caminho de uma turma gen-z, chegamos ao Café Langereis, onde cinquentões coabitam com o público jovem, que se distrai com jogos de tabuleiro e bebendo cerveja, da holandesa La Trappe às belgas Jupiler e Leffe.

    Ali, uma texana de gostos tão ecléticos quanto a cidade falou das noites de ópera no complexo Stopera (quase em frente ao Langereis) e indicou seu destino seguinte: a Verknipt, rave realizada no distrito de Zaandam, a uma hora de trem. Mas nem é preciso ir tão longe para uma maratona eletrônica, com clubes como Shelter, Paradiso e De School no mapa há anos.

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    Entre os extremos da música clássica e a hard techno, também existe ali uma vibrante cena de jazz, presente desde a chegada dos marinheiros americanos nos anos 1930. Algo raro na Europa, o Jazz Café Alto abre todos os dias da semana e tem shows ao vivo em um pequeno palco no fundo do bar. Prestes a fechar com o grupo Bop This! nos últimos minutos de apresentação, conseguimos entrar pela bondade do segurança. O ingresso custa 10 euros, mas vale cada centavo. Uma dica gratuita: em junho, o Red Light Jazz Festival prestigia o gênero com uma série de bandas em vários endereços.

    Assim como esse achado, o Door 74 faz jus ao termo “intimista”: sem letreiro na portinha escura, com luz baixa e trilha sonora típica de sucessos da Alpha FM, o bar secreto serve criações como o golden giza, coquetel feito com gim espanhol, manga apimentada, capim-limão, tomilho e um toque de jerez.

    Foto de bar intimista com luz baixa e balcão à direita
    Door 74: bar secreto próximo à rua gay da cidade (Divulgação/Divulgação)

    Enquanto o famoso Red Light District é conhecido por atrair hordas de homens héteros com as garotas de programa expostas em vitrines, o público LGBTQIA+ também tem seu lugar. Perto do Door 74 fica a rua gay repleta de bares e festas. O tempo que se leva para pronunciar o nome inteiro da via, Reguliersdwarsstraat, é suficiente para conferir o movimento — com a certeza de que pelo menos uma das mesas terá alguém mais exibido vestindo regata a menos de 10 graus.

    Foto de bar com três homens sentados nus
    Sábados de bingo e noites desinibidas: Spijkerbar, aberto desde 1978 (Divulgação/Divulgação)
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    Dois quarteirões à frente fica o Spijkerbar, o bar gay mais antigo da capital, em funcionamento desde 1978, com noites temáticas como as terças de Men Only Naked Bar (bar só para homens nus, em tradução livre) e os sábados de bingo.

    Nessa breve jornada, as comidinhas de rua substituem as horas sentado em um restaurante. E a lista é longa: as batatas fritas grossas com molho, o arenque cru com cebola e picles e os croquetes de carne, chamados de bitterballen dividem os holofotes com os locais de faláfel, noodles asiáticos “to go” e os mercados de rua como o Foodhallen, que vai de tacos e pizzas a especialidades do Vietnã e da Indonésia.

    Salão lotado de refeição
    Foodhallen: pratos típicos e especialidades asiáticas (Divulgação/Divulgação)
    Dois homens na fila de uma taqueria
    Foodhallen: área disputada de comidinhas (Divulgação/Divulgação)

    Para suprir os quilômetros de caminhada e o fervo das baladas em um roteiro de 48 horas, vale quase tudo, inclusive virar a noite e otimizar ainda mais o tempo curto: de manhãzinha, afinal, é menor a chance de encontrar as disputadas docerias Winkel 43 e The Pancake Bakery com uma fila de turistas.

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    A Amsterdã de D2

    Em visita à capital holandesa para uma roda de samba no King’s Day, Marcelo D2 selecionou três locais favoritos

    > Greenhouse Lounge

    Com variedade de maconha, haxixe e comestíveis, é a primeira coffee shop na lista do cantor

    > Foam Gallery

    Dedicado a todos os gêneros da fotografia, o museu reúne exposições temáticas e workshops

    > Vondelpark

    Com playgrounds e um chafariz que vira diversão durante o verão, o parque é um dos locais onde D2 gosta de levar a filha

    Parque com duas pessoas à esquerda, lago e ao fundo casas
    Vondelpark, na área sudoeste da cidade (Freepik/Reprodução)

    O repórter Humberto Abdo viajou a convite da Amstel

    Publicado em VEJA São Paulo de 2 de maio de 2025, edição nº 2942

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