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Bicicletas de alta-costura

Quadro de até 6 000 dólares, para-lamas de madeira, seis semanas de espera... Ateliês do gênero "feito a mão" atendem ciclistas amadores cada vez mais exigentes

Por Amanda Maia, de Londres
20 abr 2013, 01h00 • Atualizado em 5 dez 2016, 16h06
  • Na Londres dos alfaiates e dos 540 000 vaivéns cotidianos sobre duas rodas, é de esperar o sucesso dos ateliês de bicicletas sob medida. Antes privilégio de atletas, as oficinas de personalização atendem a um crescente número de amadores. Na capital inglesa, um endereço virou referência entre o meio milhão de ciclistas, população que quadruplicará até 2026, segundo o departamento de transporte público. A Brick Lane Bikes abriu em 2006 com cinco modelos. Com 400 metros quadrados, hoje vende quadros — as estruturas metálicas das bicicletas — tanto novos como antigos. Ali, é possível encontrar peças fabricadas a mão pela inglesa Bob Jackson, no métier desde 1935, e exemplares do italiano Dario Pegoretti, autor de apenas 250 quadros por ano. “O cliente sai daqui com a bicicleta ideal”, diz a proprietária, Feya Buchwald. Ele desembolsará até 4 000 libras esterlinas (cerca de 12 000 reais). “Quem investe numa custom bike prioriza o visual e, acima de tudo, a qualidade, porque a utiliza como meio de transporte”, afirma o australiano John Beullens, ciclista urbano há uma década e sócio da Kinfolk Bicycles Company, com estúdios em Nova York e Tóquio. “A atenção aos detalhes na montagem artesanal se reflete na durabilidade.” As bicicletas demoram até seis semanas para ficar prontas. São numeradas. A mais recente é a de número 159. Há sugestões-padrão de quadros, bancos e acabamentos, mas é possível fazer pedidos fora do protocolo.“Um para-lama de madeira foi o mais inusitado”, conta. Um trunfo da Kinfolk é o artesão Shuichi Kusaka, de 73 anos, que reside em Kobe, no Japão. Ele monta e pinta até dez quadros por mês. De aço e zinco, chegam a custar 6 000 dólares. Por aqui, a Olé Bikes funciona desde 2011 no Rio de Janeiro.

    Pelo site, a partir de quatro opções de quadro, montam-se cerca de 1 000 combinações com os acessórios, a exemplo de bolsa de couro, faróis e correntes. Entre os serviços mais pedidos está a découpage, técnica que reveste o metal de tecido envernizado (a partir de 900 reais). A Ciclo Vila, de São Paulo, especializou-se em restauro. “Partimos de uma bicicleta muitas vezes em estado lamentável”, afirma Leandro Valverdes, um dos sócios. Entre os trabalhos recentes, estão versões da Caloi Ceci, da década de 80, e um quadro da italiana Cinelli, uma preciosidade. O restauro dura até três meses. O cliente escolhe entre os 1 500 produtos para dar a aparência dos sonhos à bicicleta. Quando a loja surgiu, há três anos, sua proposta era existir apenas no universo virtual. Ao notarem o aumento do número de paulistanos que adotam a bicicleta no trajeto de casa para o trabalho, os donos ampliaram os serviços e abriram as portas aos ciclistas. Hoje é possível acompanhar os serviços realizados no sobrado de 120 metros quadrados. Em um ano, já somam 100 bicicletas de alta-costura. Nada mau para modelos que custam até 15 000 reais.

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