Avatar do usuário logado
Usuário

Receita napolitana da pizza ganha fãs na capital

Restaurantes apostam na versão tradicional do prato, servida em porções individuais, com bordas altas e menos ingredientes

Por Jussara Soares
20 jun 2015, 00h00 • Atualizado em 4 set 2025, 16h32
pizza 2
pizza 2 (Fernado Moraes/)
Continua após publicidade
  • A maciça colonização italiana no início do século passado levou São Paulo a tornar-se uma referência na produção de pizzas, tanto na quantidade como na qualidade. Principal associação do setor, a Pizzarias Unidas estima que cerca de 325 000 unidades são consumidas por dia nos 6 500 estabelecimentos especializados na capital. Tal fartura e a necessidade de agradar a diferentes paladares colaboraram para o surgimento de um mix de ingredientes que flertam com a bizarrice e arrepiam os cabelos de puristas, como cachorro-quente, estrogonofe e sushi.

    Para se destacarem em meio a tanta invencionice, algumas casas daqui têm apostado recentemente no resgate da pizza ao estilo de Nápoles, cidade do sul da Itália onde a receita teria surgido. Nessa variante, os ingredientes do topo — principalmente queijos, ervas e azeite — são usados com parcimônia, transformando- se em meros  acompanhamentos da estrela original do prato, a massa, de aspecto mais macio e bordas bem altas. O molho de tomate, por outro lado, é espalhado em maior volume. Os discos são menores, servidos individualmente, e nunca há divisão de sabores na cobertura.

    + Bares aconchegantes para curtir nos dias frios

    Dois espaços inaugurados neste ano dedicam-se a seguir estas regras: a Carlos Pizza, em funcionamento desde fevereiro na Vila Madalena, e o Rossopomodoro, localizado no shopping gastronômico Eataly, aberto em maio no Itaim. Em ambos, a massa tem apenas 26 centímetros de diâmetro (por aqui usualmente chega a 35 centímetros) e um só sabor, como a tradição exige. “Pizza é como o amor da nossa vida, não se divide com ninguém”, filosofa o italiano Luigi Testa, gerente geral do Eataly, que trouxe de Nápoles o pizzaiolo Rosario Minucci para garantir a autenticidade ao produto oferecido no megaempório. “A ideia não é mudar o costume do paulistano, mas mostrar o jeito original.” As pizzas mais pedidas entre as doze opções de cobertura são a marguerita (25 reais) e a napolitana (34 reais).

    pizza 3
    pizza 3 ()
    Continua após a publicidade

    Na Carlos, além da marguerita (28 reais), a versão de escarola, queijo, limão-siciliano e nozes (29 reais) tem conquistado fãs. “A massa é leve, e o conjunto, harmonioso”, diz a administradora Carolina Cruz, uma das clientes. Por ali, a volta às origens representa modernizar o negócio. “Queríamos trazer algo diferente a um mercado tão concorrido”, afirma o sócio Luciano Nardelli, ex-chef do Riviera Bar, na Consolação. Não se trata, porém, de missão simples. O processo para preparar a versão clássica é bem mais trabalhoso. A massa recebe ingredientes importados, como a farinha e o tomate pelado, e passa por um longo processo de fermentação de, no mínimo, 32 horas — o costumeiro levaria duas horas. Outra particularidade é que ela deve ser trabalhada a mão, e não com o rolo de macarrão, antes de ir ao forno a lenha com temperatura acima de 400 graus.

    + Novo Le Bife tem cardápio de Erick Jacquin

    A receita já havia ganhado espaço em outros restaurantes, mas com algumas adaptações. É o caso do Dona Firmina, em Moema, que desde 2013 adota a fermentação mais longa, mantendo a tradição local de lotar o disco com ingredientes. “Não fazemos exatamente como na Itália, nossa cobertura é generosa”, explica um dos sócios, Maurício Ribeiro de Sá. No mesmo bairro, a Pizzaria Nacional até cria tipos menos carregados, ainda que sem reduzir o tamanho da massa. “Nosso diâmetro é o da pizza brasileira, com seis ou oito pedaços”, diz o chef Eduardo Talarico.

    Continua após a publicidade
    Pizza napoletana
    Pizza napoletana ()

    O estilo já ronda as casas paulistanas desde 2010, quando a Speranza e a Bráz conquistaram o cerficado da Associazione Verace Pizza Napoletana, entidade que regulamenta o patrimônio gastronômico pelo mundo. Em 2012, foi a vez de a Maremonti obter o selo da Associazione Pizzaiuoli Napoletani. Curiosamente, só nessa casa os discos continuam com o certificado de autenticidade no cardápio. “Nós o tiramos temporariamente, mas voltará em breve”, garante Paola Tarallo, sócia da Speranza.

    arte pizza
    arte pizza ()
    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês