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Pupillo, ex-Nação Zumbi, lança disco: “Tudo que é brasileiro me pertence”

O produtor e baterista pernambucano dá o primeiro passo como artista solo com um álbum instrumental homônimo

Por Tomás Novaes
11 mar 2026, 16h56 • Atualizado em 11 mar 2026, 17h02
Pupillo lança disco homônimo: projeto instrumental
Pupillo lança disco homônimo: projeto instrumental (Fred Siewerdt/Divulgação)
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  • À frente do palco, e não mais ao fundo, na bateria, ou nos bastidores. Pupillo lançou seu primeiro disco solo na última sexta-feira (6).

    O músico pernambucano segurou as baquetas da Nação Zumbi entre 1995 e 2018 e depois mergulhou na carreira de produtor, assinando discos como A Pele do Futuro (2018), de Gal Costa (1945-2022), …Amor É Isso (2018), de Erasmo Carlos (1941-2022), e Não Sou Nenhum Roberto, Mas às Vezes Chego Perto (2019), de Nando Reis.

    No ano em que se completam três décadas do primeiro disco com a ex-banda, Afrociberdelia (1996), o instrumentista dá o primeiro passo como artista solo, com um álbum instrumental homônimo.

    A capa de 'Pupillo' (2026): primeiro disco autoral
    A capa de ‘Pupillo’ (2026): primeiro disco autoral (Fred Siewerdt e MZK/Divulgação)

    Processo intuitivo

    Apesar de um disco com suas próprias composições ser um sonho antigo, não havia um baú de canções ou temas. Pupillo recorreu ao instinto que desenvolveu nos mais de trinta anos de música. “Essa ideia engavetada não tinha um roteiro. Não é o ‘disco da minha vida’, é um recorte que se deu a partir da oportunidade de ver até que ponto a minha intuição poderia me levar”, define.

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    Em 2020, chegou a esboçar um voo solo com o álbum Sonorado Apresenta: Novelas, em que reuniu uma banda para gravar versões de trilhas de novelas. “Eu ainda não me sentia preparado para protagonizar um projeto, aparecer sozinho”, diz.

    O disco Pupillo foi lançado pela gravadora norte-americana Amor in Sound, criada por Samantha Caldato, responsável pela produção executiva e direção criativa, e Mario Caldato Jr, que assina a produção musical com o artista.

    As gravações aconteceram no estúdio do selo em Los Angeles, em janeiro de 2025, ao longo de dez dias. Entre as participações luxuosas, algumas entraram no processo por acaso, como a cantora portuguesa Carminho, que visitou o local no período.

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    Rodrigo Amarante, Agnes Nunes, Amaro Freitas, Davi Moraes, Alberto Continentino, Pedro Martins, Gaslamp Killer, Loren Oden, Adrian Younge, Cut Chemist, Hervé Salters, Jeremy Gustin, Roberto Schilling e Céu — esposa de Pupillo — foram outros nomes que colaboraram.

    Sons brasileiros

    No caldeirão colorido de Pupillo, forró, jazz e hip-hop se encontram ao som de piano, guitarra, bateria, teclados, beats, sanfona, pífano, berimbau e agogô.

    “Me senti mais seguro quando decidi que o disco seria um recorte da minha vivência, não só como músico. Desde criança, os festejos de São João, o Carnaval de rua e de clube, os meus passeios pelo centro de Recife, as notícias e lendas urbanas”, descreve, citando a conexão desse olhar com a obra do cineasta conterrâneo Kleber Mendonça Filho, que dirige O Agente Secreto, filme indicado ao Oscar 2026.

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    “É sobre esse diálogo de transformar as imagens do lugar de onde viemos em algo para o mundo. Na música, nós fizemos essa conexão no manguebeat. A discografia da Nação Zumbi foi sempre pautada na conversa entre a nossa cultura e o restante do planeta”, conta, destacando o olhar urbano do diretor, que conversa muito com a trajetória do músico. “Fui criado na cidade, andando pelo centro, no subúrbio. Aquelas imagens (de O Agente Secreto) não são  folclóricas, são da nossa realidade. E situações que poderiam acontecer em qualquer lugar. Foi-se o tempo de tachar isso como regional”, defende.

    A capa do disco evoca as raízes culturais do artista. “Queria uma imagem que representasse o meu lugar. Não o Nordeste caricato, mas sim o rico em cultura e valores. Com instrumentos e ferramentas que fazem parte da minha trajetória. Um terreno fértil, longe da ideia de escassez”.

    O percussionista recifense Naná Vasconcelos (1944-2016) é a estrela-guia do disco, “pelo fato dele ser pernambucano e ter saído do Brasil para deixar uma contribuição importante na música mundial”, diz. “Esse disco traz a minha visão geral sobre o Brasil miscigenado. É um terreno onde me sinto muito à vontade: tudo que é brasileiro me pertence”.

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    Entre os projetos para o futuro, Pupillo cita a produção do disco da cantora Manu Julian, da banda paulistana Pelados. E há o desejo de levar o novo álbum para os palcos, mas ainda em elaboração, por ser um projeto muito colaborativo — apesar de traduzir o DNA musical do baterista. “É a minha visão sobre o ritmo brasileiro e o quanto ele influencia a música do mundo. Como uma caixa de fotografias, escolhi apenas doze”, conta. Novas paisagens sonoras devem surgir nessa trajetória autoral que acaba de começar.

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