Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

Tudo de Som

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Novidades da música, clipes, entrevistas, artistas, listas e shows, por Tomás Novaes.

Grandes pequenos palcos: a cena paulistana de bares com música ao vivo

Estabelecimentos multifacetados com programações musicais mantêm pulsante o circuito independente e revelam novos artistas e bandas

Por Tomás Novaes 14 jun 2024, 07h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 17h32
picles-bar-shows
No Picles, a banda carioca Estranhos Românticos: polo cultural (Leo Martins/Veja SP)
Continua após publicidade
Grandes pequenos palcos: a cena paulistana de bares com música ao vivo Priorizar nos meus resultados Google

Não são exatamente casas de show. Menos ou mais arrumadinhos, quase sempre de perfil multifacetado — podendo funcionar como bar, centro cultural e loja de roupa ao mesmo tempo —, uma leva recente de redutos noturnos tem sido responsável por manter pulsando a cena musical underground na capital.

“São os corais da música brasileira, onde os peixes pequenos se criam para adentrar o mercado, ganhar experiência, testar repertório”, define bem o produtor cultural Fernando Tubarão, 50, sobre os pequenos palcos em São Paulo que recebem shows de artistas e bandas independentes.

O produtor paulista geriu um desses lugares, o Puxadinho da Praça, na Vila Madalena, entre 2012 e 2015, e depois o seu sucessor, o Secretinho, que funcionou por mais três anos.

“Muitos que vieram a se tornar conhecidos passaram por lá, como Anavitória, Rincon Sapiência, O Terno, Pabllo Vittar e Russo Passapusso”, conta.

Continua após a publicidade

Na segunda casa, foi sócio do artista Rafael Castro, que, em 2018, abriu o Picles, em Pinheiros, um dos principais catalisadores desse movimento atual.

“Sinto falta de apoio direto para essas casas. Assim como o CBGB, em Nova York, onde surgiram bandas como Ramones, se elas não existissem, esses grupos talvez nem chegariam ao mercado”, diz.

Também houve uma leva de inaugurações no pós-pandemia, como o Bar Alto, na Vila Madalena, e o Alma São Paulo, em Pinheiros, além de outros inferninhos que sustentam a cena underground paulistana.

Continua após a publicidade

A seguir, você confere mais detalhes sobre quatro endereços que, cada um a sua maneira, oferecem bons drinques, petiscos e, o principal, música ao vivo.

PICLES

Atrás de um portão de metal alto na Rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, está o Picles.

Continua após a publicidade

É um lugar único, a começar pelo cenário, duas casinhas geminadas, com um quintal ao ar livre, um palco, pista e uma sala com instrumentos para quem quiser tocar, tudo isso no térreo, e um karaokê e uma varanda, no segundo andar.

picles-palco-aberto
O palco aberto do Picles: sala com instrumentos para quem quiser tocar (Leo Martins/Veja SP)
Continua após a publicidade

O proprietário é Rafael Castro, 39, que também é cantor e compositor. “Eu morava no andar de cima do sobrado e fazia eventos embaixo. Foi assim de 2018 até 2020, era bem pequenininho. No fim da pandemia, a gente conseguiu dois editais e, ao mesmo tempo, a moradora do lado saiu. Juntei uma galera, unimos as casas e reabrimos no começo de 2022”, conta.

A sala de shows pode receber 150 pessoas e hoje cerca de quarenta trabalham na equipe do estabelecimento. O produtor Juka Tavares, 38, coordena a programação.

“Temos apresentações todos os dias que abrimos. De quinta e sexta, a programação é voltada para música autoral, e de sábado normalmente é algo mais baile”, explica.

Continua após a publicidade

Picles. Rua Cardeal Arcoverde, 1838, Pinheiros. Qui. a sáb., 20h/4h30. @piclescardeal.

ALMA SÃO PAULO

A casa, aberta por Eduardo Matos e Thomas Morgan von Hertwig, em 2023, é o primeiro endereço paulistano da rede que começou com dois pontos em Campinas.

O foco da programação é especial: seu palco costuma receber instrumentistas talentosos que tocam com nomes consagrados.

alma-sao-paulo-shows
Área de show no primeiro andar: acústica diferenciada (Leo Martins/Veja SP)

Um exemplo é o projeto Soul Sessions, às segundas, com banda fixa de músicos que acompanham nomes como Jão, Djavan, Ed Motta, Sandy e Luedji Luna.

A terça-feira é dedicada ao jazz e à música instrumental, e a programação musical segue até sábado. Em formato pista, a casa de dois andares pode receber até 420 pessoas.

Aliás, outro destaque de lá é a acústica. “Percebi que sempre o vilão do bar com música ao vivo é o incômodo aos vizinhos. A gente isolou o prédio inteiro, colocamos lã de rocha e a prefeitura nos deu um alvará de música até às 7 da manhã”, explica Eduardo.

Alma São Paulo. Rua Simão Álvares, 923, Pinheiros. Seg. e ter., 19h/1h. Qua., 19h/4h. Qui., 19h/2h. Sex., 18h/4h. Sáb., 16h/4h. @almasaopaulo.

alma-sao-paulo
A fachada do Alma São Paulo: em Pinheiros (Leo Martins/Veja SP)

FENDA 315

Uma casa de dois pavimentos, em cima de uma brigaderia em Perdizes. Um lugar improvável para a sonzeira que rola.

“Nós somos do rock, então naturalmente recebemos mais bandas de hardcore e punk, mas aqui tem também death metal, emo, cumbia, salsa”, conta Diego Nakasone, 37, sócio ao lado de Franco Ceravolo e Juliana Ramirez, da marca de roupas Sabot, que funciona no espaço durante o dia.

fenda-315-shows
A banda Tonelada, em uma noite “tranquila”: shows agitados (Leo Martins/Veja SP)

O ponto, que abriu em 2018, ainda abriga um estúdio de tatuagem no último andar e pode receber até 110 pessoas.

“A ideologia da casa é trabalhar com bandas independentes. Hoje, com quase seis anos, fica mais fácil fazer a curadoria, porque elas vêm atrás da gente”, explica o proprietário.

Fenda 315. Rua Doutor Cândido Espinheira, 315, Perdizes. Qui. a dom., 18h/3h. @fenda315.

fenda-315-show
Baixista da banda Tonelada, do Mato Grosso do Sul: som hardcore (Leo Martins/Veja SP)

BAR ALTO

O Bar Alto abriu no final de 2022 pela união de sócios do bar Tokyo, do selo Balaclava Records e do festival e portal Popload.

Como o nome antecipa, é um estabelecimento que cresce por três pisos, múltiplo por natureza. “A ideia era abrir um espaço que pudesse receber shows, mas que não dependesse da programação. Igual a muitos lugares nos Estados Unidos, onde, quem quiser assistir, paga o ingresso, mas o resto é aberto ao público”, diz Fernando Dotta, 37, da Balaclava.

terno-rei-bar-alto
Terno Rei no Bar Alto: programação indie (Mayara Giacomini/Divulgação)

O endereço na Vila Madalena pode receber 250 pessoas, tem três bares e também abriga festas e sets de DJs. Nomes mais estabelecidos da cena indie, como a banda paulistana Terno Rei e a britânica Shame, já passaram pelo palco, que também recebe quem está começando.

“Abrimos de vez em quando alguns formulários para quem quiser tocar. Eu já tive banda e sei como é difícil ter acesso a um palco legal”, conta.

Bar Alto. Rua Aspicuelta, 194, Vila Madalena. Qua. a qui., 18h/0h. Sex., 18h/4h. Sáb., 16h/4h. Dom., 16h/23h. @baralto.sp.

bar-alto
A fachada do Bar Alto: três andares (Clayton Vieira/Veja SP)

Publicado em VEJA São Paulo de 14 de junho de 2024, edição nº 2897

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês