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Pagode da 27 completa vinte anos de samba e olhar social no Grajaú

Fenômeno do bairro, a roda de samba semanal promove arrecadações para a comunidade e oferece aulas de luthieria e música para jovens e crianças

Por Tomás Novaes
20 set 2025, 08h00 •
A roda de samba: todos os domingos, a partir das 16h, na Rua Manuel Guilherme dos Reis, no Grajaú
A roda de samba: todos os domingos, a partir das 16h, na Rua Manuel Guilherme dos Reis, no Grajaú (Flavio Sarmento/Divulgação)
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  • Uma roda de samba tem desafiado o fluxo das pessoas da periferia para o centro, pelo menos aos domingos. Paulistanos de todas as regiões e até caravanas do interior e do litoral comparecem ao Pagode da 27, no Grajaú, em busca de um bom samba.

    Não é uma novidade — o projeto nasceu há vinte anos, em agosto de 2005, pelas vozes e instrumentos de Ricardo Rabelo, Jefferson Santiago, Lerinho Santos e Nenê Partideiro. “Montei um grupo com os meus irmãos e, a partir de 2000, começamos a fazer rodas de samba pelo bairro, itinerantes. Um dia, marcamos em um lugar, mas cancelaram — como meus pais sempre moraram na Rua 27 e eu conhecia os moradores, falei com o dono de um barzinho e ele deixou a gente tocar”, lembra Rabelo, que é parceiro de composição de Criolo e toca cavaco e banjo em sua banda.

    A rua, que antes era marcada pela violência, virou bandeira do samba. Com cerca de três anos de projeto, eles começaram a usar o sucesso dos encontros semanais para atender a demandas da comunidade, arrecadando alimentos, brinquedos e o que mais a vizinhança precisar.

    Ricardo Rabelo em seu ateliê: aulas de luthieria e música no Grajaú
    Ricardo Rabelo em seu ateliê: aulas de luthieria e música no Grajaú (Masao Goto Filho/Veja SP)

    “A parte social foi crescendo organicamente, e hoje temos todo um calendário de atividades, o Dia das Crianças, o Natal sem Fome, o Dia das Mães”, explica Jefferson. Além de uma biblioteca livre, um espaço infantil, aulas de inglês, futebol, música e luthieria.

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    Em seu ateliê, a poucos passos do samba, Rabelo ensina crianças e jovens a montarem os seus próprios instrumentos e, em seguida, a tocar, formando uma orquestra de cavaco e banjo.

    A roda costuma receber entre 1 000 e 1 200 pessoas, com repertório de clássicos e também sambas autorais, alguns que viraram hinos do bairro, como A Comunidade Chegou, que abre com os seguintes versos: “Ó Grajaú, a comunidade te canta / E encanta, a nossa São Paulo de um povo que é sofredor / Mas o Pagode da 27 ameniza a sua dor”. Que venham os próximos vinte anos.

    Publicado em VEJA São Paulo de 19 de setembro de 2025, edição nº 2962

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