“Compreendo o meu irmão”, diz Marina Lima, que estreia no Lollapalooza
Em entrevista, a artista carioca fala sobre Antonio Cicero e o show com participação de Pabllo Vittar no festival

Marina Lima faz seu primeiro show no Lollapalooza neste sábado (29), no Palco Samsung Galaxy, às 15h50, com direito a participação especial de Pabllo Vittar.
“Ela tem uma voz linda, é uma grande cantora do Brasil”, afirma a artista carioca, nome fundamental do pop rock nacional a partir dos anos 80.
Letras primorosas, arranjos modernos e dançantes e um eterno espírito jovial são marcas da carreira da cantora e compositora, com hits como Fullgás e Acontecimentos — exemplos da parceria com seu irmão poeta, Antonio Cicero (1945-2024), que optou pela morte assistida no ano passado, após diagnóstico de Alzheimer.
“Ele partiu repentinamente para todos, para mim, mas a presença dele está por toda parte. Fizemos mais de 200 músicas juntos, e, sempre que canto alguma nossa, penso nele. Fomos irmãos na vida e na arte, nada de nós era estranho para o outro. Compreendo o meu irmão, vou amá-lo eternamente, ele foi coerente com tudo que pensava”, declara.
No setlist, seus grandes sucessos e também releituras, como a surpreendente versão da música Lunch, da jovem artista americana Billie Eilish, que entrou no repertório da turnê atual de Marina, Rota 69 — referência à idade atual da cantora.
“Meu público cresceu de novo, meus shows estão sempre lotados de jovens. Minha relação com eles é de troca, entenderam as minhas músicas e pegaram para eles. O que faço é retribuir da melhor forma: estar inteira no palco”, afirma.
Marina toca no mesmo dia de festival que a canadense Alanis Morissette. “Eu adoro os discos dela. É o show que mais quero assistir”, comenta.
Antenada, a cantora fala sobre a nova geração da música brasileira. “Alice Caymmi é um estouro! Catto canta lindo. E estou feliz em poder ter a Pabllo como convidada. Tem muita gente nova talentosa no mundo, e ouvir trabalhos e assistir a shows me faz viva e cheia de ideias.”
Sobre a proximidade com a marca dos 70 anos, a artista resume seu momento em uma frase: “Quero mesmo é descobrir o que há de libertador agora”.
Publicado em VEJA São Paulo de 28 de março de 2025, edição nº 2937