L’Impératrice revela paixão pela música brasileira e planos para o futuro
Banda francesa que se apresentou pela primeira vez em São Paulo e no Rio de Janeiro fala à Vejinha sobre influências de Marcos Valle e Chico Buarque
Se você ainda não conhece a banda francesa L’Impératrice, você está perdendo uma sonzeira. Donos de uma mistura açucarada de pop, funk e disco, os europeus estão no Brasil pela primeira vez.
A Vejinha conversou com os seis integrantes no camarim da Audio, onde se apresentaram na noite desta terça-feira (4). O grupo estreou por aqui no dia 31, no festival Rock The Mountain, em Itaipava, onde tocam mais uma vez nesta sexta-feira (7).
Em atividade desde 2012, o sexteto hoje é formado por Charles de Boisseguin (teclados), Tom Daveau (bateria), David Gaugué (baixo), Hagni Gwon (teclados), Achille Trocellier (guitarra) e Louve (voz).
A vocalista é a adição mais recente ao conjunto, substituindo a cantora e compositora Flore Benguigui, que integrou a banda entre 2015 e 2024. Confira a entrevista a seguir.
Era um desejo antigo, vir ao Brasil?
CHARLES Era, porque nós somos, tipo, verdadeiros, acho, verdadeiros amantes da música brasileira, sabe? Digo, fomos super influenciados pela música brasileira. É uma música e um país distante de casa, e sim, sempre foi um sonho vir aqui e finalmente estamos aqui, vivendo, acho, a experiência completa, e somos muito gratos por isso.
Vocês têm algum artista ou músico brasileiro favorito?
ACHILLES David e eu somos muito, muito fãs de Luis Bonfá. Em particular de uma música chamada The Shade of the Mango Tree, que amamos.
TOM Eu amo Antônio Carlos Jobim, Seu Jorge, tantos outros…
HAGNI Gostamos muito de Chico Buarque e Vinicius de Moraes. Tem um álbum do Chico Buarque que a gente gosta muito, que ele fez com o Ennio Morricone, que orquestra todas as músicas, e ele canta por cima. É algo bem incrível. Eles fizeram duas versões — uma em português e outra em italiano — e a brasileira é a melhor para mim.
CHARLES Eu tenho tantos. Talvez em primeiro lugar o Marcos Valle… Maria Bethânia, Ivan Lins. Eu amo a música brasileira dos anos 70, especialmente Marcos Valle, ele trouxe alguns o melhor do funk para a música, com todas as vibrações latinas, para mim é pura alegria.
Além do som de vocês, a banda tem uma identidade visual forte, seja nas artes dos discos ou nos figurinos dos shows. Como funciona esse processo criativo entre música e imagem?
HAGNI Nós, como banda, nos concentramos primeiro na música. É a origem de tudo. E, para o visual e tudo mais, temos a sorte de trabalhar com nosso selo, que são pessoas incríveis que nos ajudam a encontrar o visual certo e as coisas que combinam com a nossa música. Nem sempre temos certeza do que queremos visualmente, mas eles sempre tentam trazer as melhores propostas.
CHARLES E nós também somos grandes fãs de trilhas sonoras originais de filmes, sabe? Então essa ligação é bem óbvia para nós, temos muitas influências do cinema. Nos álbuns anteriores, queríamos uma vibe dos anos 70 ou mangá. Temos essas referências que passamos para o selo, e, como eles nos conhecem, fazem uma mistura e acham o artista certo pra trabalhar junto.
No ano passado, a banda passou por uma grande mudança, com a saída da vocalista Flore. Agora, Louve está na banda. Como surgiu o convite e como têm sido esse primeiro ano com a banda?
LOUVE Já faz mais de um ano que estou aqui na banda, e tem sido muito incrível. Nós nos conhecemos primeiro como amigos e depois profissionalmente, e tudo deu tão certo que decidimos ir ao estúdio. Foi um segundo encontro, também muito natural e tranquilo. Fizemos algumas músicas e criamos nossa primeira canção juntos, Chrysalis, da qual estamos super orgulhosos. Tudo correu muito bem.
TODOS Bem-vinda, Louve!
LOUVE Muito obrigada (risos).
E minha última pergunta: vocês lançaram a música Chrysalis no mês passado. Podemos esperar um novo álbum em breve?
CHARLES Para ser totalmente honesto, estamos terminando a turnê na América do Sul, teremos uns dez dias de folga e vamos tocar na Ásia. Como estamos em turnê sem parar há dez anos, vamos precisar de uma pausa. Por alguns meses, para descansar, encontrar nova criatividade, curtir nossas famílias, amigos e vidas pessoais. Estar em turnê é basicamente viver junto todos os dias, você nunca está sozinho, e estar sozinho às vezes te permite encontrar novas ideias. Vamos precisar disso, e claro que voltaremos com muitas novidades — mas não agora.
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